Uma mulher de 64 anos acreditava ter encontrado o amor através das redes sociais. Durante dois anos, manteve contacto com alguém que dizia ser um conhecido artista e, convencida da relação, acabou por entregar-lhe mais de 250.000 euros. O caso terminou no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, onde a vítima esperava reencontrar o alegado companheiro, mas quem apareceu primeiro foi a Polícia Judiciária.
De acordo com o portal Notícias ao Minuto, a investigação permitiu apurar que o suspeito, um homem de 45 anos, foi detido em flagrante na quinta-feira, 30 de outubro, quando chegou a território nacional para se encontrar com a vítima. A mulher acreditava que o encontro serviria para entregar mais 25.000 euros, valor que se somaria ao montante já transferido nos últimos meses.
Esquema conhecido por “burla do amor”
Segundo a mesma fonte, o caso insere-se num esquema de fraude digital designado por “burla do amor”. O método consiste em criar perfis falsos nas redes sociais, geralmente de figuras públicas ou pessoas com aparente estatuto e sucesso, para estabelecer relações afetivas e ganhar a confiança das vítimas.
A Polícia Judiciária explicou que, neste caso, o suspeito fazia-se passar por um artista conhecido, mantendo contacto frequente com a mulher desde 2022. As transferências foram realizadas de várias formas: depósitos bancários, aquisição de cartões de criptomoedas e até entregas em numerário feitas em encontros presenciais com pessoas que se faziam passar por representantes do alegado artista.
O momento da detenção
Acrescenta a publicação que o detido foi intercetado no momento em que desembarcava no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. No local, as autoridades apreenderam “diversos equipamentos telefónicos, bem como outros elementos de prova relevantes”, indicou a PJ.
O homem, de nacionalidade estrangeira, seria posteriormente presente a tribunal para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.
Um alerta das autoridades
Refere ainda o Notícias ao Minuto que a Polícia Judiciária tem vindo a alertar para o aumento de casos semelhantes, em que vítimas, muitas vezes mulheres de meia-idade ou idosas, são levadas a acreditar em ligações emocionais falsas. Os burlões aproveitam-se dessa confiança para obter grandes quantias em dinheiro, prometendo reembolsos, reencontros ou investimentos inexistentes.
A PJ aconselha que qualquer pedido de dinheiro feito por alguém conhecido apenas através da internet deve ser encarado com desconfiança e comunicado às autoridades. Estes esquemas são difíceis de rastrear, uma vez que envolvem redes internacionais e o uso de identidades falsas.
Fim de uma ilusão
Conforme a mesma fonte, a vítima, que acreditava estar a ajudar um “artista famoso” em dificuldades, acabou por perceber o engano apenas no momento da operação policial. O caso serviu para reforçar os alertas sobre o risco crescente de burlas digitais em Portugal, especialmente aquelas que exploram o envolvimento emocional das vítimas. A Polícia Judiciária continuará a investigar o caso, procurando identificar eventuais cúmplices e rastrear o destino final das verbas entregues.
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