O uso de um popular método de pagamento tem vindo a crescer significativamente entre os portugueses. Porém, este aumento acompanha-se de um aumento das fraudes associadas, com milhares de pessoas já a terem sido burladas em todo o país. Segundo a SIBS, a empresa que gere este sistema, apesar do serviço ser seguro, a falta de conhecimento deixa muitos utilizadores vulneráveis.
Como funcionam as burlas?
O MBWAY funciona através de uma aplicação móvel que permite realizar transferências rápidas entre utilizadores, facilitando o comércio entre particulares.
No entanto os burlões têm aproveitado esta facilidade para enganar pessoas, especialmente aquelas com menos experiência em tecnologias e operações financeiras.
As fraudes ocorrem muitas vezes em plataformas como OLX, Custo Justo ou Facebook Marketplace, onde os golpistas contactam as vítimas sob a pretensão de um negócio legítimo.
Um método habitual é o burlão convencer a vítima que ainda não tem a aplicação a ir a um multibanco aderir ao serviço, associando depois a conta bancária da vítima ao número do burlão.
Desta forma, o burlão obtém acesso à conta da vítima e pode fazer levantamentos ou transferências não autorizadas. Já milhares de portugueses foram vítimas deste esquema.
Para quem já utiliza o serviço, o golpe pode acontecer através de um pedido falso de transferência. O burlão envia uma mensagem pedindo dinheiro e, quando a vítima aceita, está a transferir o valor para a conta do burlão em vez de receber o pagamento. Esta técnica tem levado milhares de portugueses a perderem dinheiro.
PSP e GNR confirmam: milhares de queixas por fraude com MBWAY
Em 2024, as autoridades portuguesas registaram um aumento significativo nas queixas de burlas através do MBWAY: foram 4 467 denúncias, segundo dados da PSP e da GNR, um crescimento de cerca de 6 % em relação ao ano anterior.
De acordo com a GNR, que recebeu a maioria dessas queixas (3 303 casos, cerca de 74 % do total), este tipo de fraudes explodiu nas transações online e em plataformas de compra e venda, causando prejuízos que se estendem por milhares de vítimas A PSP registou 1 164 queixas em 2024, embora represente uma diminuição de 26 % comparando com 2023.
Em resposta, a SIBS reforçou os alertas nos multibancos e desenvolveu mecanismos adicionais de segurança na app, esforçando-se por ajudar as autoridades a prevenir novas fraudes.
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Medidas para se proteger
Para evitar ser burlado, é fundamental não associar o seu número de telemóvel a contas de MBWAY que não sejam suas. Nunca forneça códigos ou dados pessoais a desconhecidos e não siga instruções de pessoas que não conhece para aderir ao serviço ou fazer pagamentos, conforme recomendado pela mesma fonte.
Nunca responda a e-mails ou mensagens SMS que lhe pareçam suspeitos, mesmo que aparentem ser legítimos. Também não deve clicar em links enviados por estes meios sem confirmação prévia. Se receber alguma comunicação estranha, deve reportá-la através do chat oficial da aplicação.
É igualmente importante verificar regularmente o extrato da sua conta bancária para detetar qualquer movimento estranho, minimizando o impacto de eventuais burlas.
Se perder o telemóvel ou outro dispositivo onde tem a aplicação MBWAY, deve desativar ou remover a conta desse dispositivo através das definições da aplicação. Caso não tenha outro dispositivo, pode cancelar o serviço num terminal multibanco ou no seu banco.
Segundo a SIBS, no caso de perda do cartão bancário associado à aplicação, deve cancelar imediatamente o cartão junto do banco para evitar acessos não autorizados.
Responsabilidades e conclusões
De acordo com a Associação de Defesa do Consumidor, as burlas deste tipo não são responsabilidade dos bancos nem da empresa que gere o serviço, uma vez que existe uma participação ativa, ainda que involuntária, por parte das vítimas. São já milhares os portugueses que, sem saber, foram levados a colaborar nestes esquemas.
Estar informado e seguir as recomendações oficiais é a melhor forma de evitar ser mais uma vítima.
A prudência e a atenção continuam a ser as melhores defesas contra estas fraudes que têm afetado tantos portugueses.
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