Um meteorologista e doutorado em Física de nacionalidade espanhola, Juan González Alemán, alertou para a formação de um sistema de altas pressões extremamente intenso sobre o Sudoeste da Europa. O especialista da AEMET sublinha que a atmosfera tem exibido comportamentos cada vez mais extremos com a aproximação do verão meteorológico. O fenómeno que se observa atualmente está a marcar o final do mês de maio com temperaturas pouco habituais para esta altura do ano.
Onda de calor afeta Portugal, Espanha e França
O fenómeno que está a causar estas temperaturas anormais é uma onda de calor. Desde o dia 29 de maio, Portugal continental, Espanha peninsular e França têm registado valores termométricos típicos do verão. A origem está numa massa de ar quente e seca proveniente do Norte de África, associada a uma crista anticiclónica. Esta situação deverá prolongar-se até ao dia 31 de maio, com temperaturas excecionalmente elevadas para o final da primavera.
De acordo com análises recentes citadas pelo portal Tempo.pt, os meses de março e abril pareceram frios, mas não apresentaram desvios térmicos significativos. Segundo González Alemán, esse período registou valores muito próximos da média climatológica entre 1940 e 2025. A única exceção verificou-se nas Ilhas Canárias, onde as temperaturas estiveram acima do normal.
Madeira regista temperaturas abaixo da média
O geógrafo Alfredo Graça, da Meteored Portugal, confirmou que a Madeira foi a única região portuguesa com temperaturas inferiores à média. No caso do território continental e dos Açores, os valores registados estiveram dentro dos padrões normais. A cartografia climatológica ilustra esse comportamento, com as zonas afetadas pintadas a branco, indicando ausência de anomalias. Esta discrepância evidencia a variação regional dos efeitos climáticos.
O website PolarWx, coordenado por Tomer Burg, destaca visualmente a intensidade do anticiclone responsável pelo calor. Esta crista em altitude bloqueia a circulação de sistemas frontais e promove a acumulação de ar quente à superfície. O calor persistente é ainda reforçado pela maior incidência solar típica do final de maio. A subsidência do ar nas áreas de alta pressão contribui para o aquecimento adicional.
Sistema anticiclónico agrava intensidade do fenómeno
Este padrão atmosférico favorece o aquecimento da superfície terrestre, mantendo o céu limpo e a radiação solar direta. A massa de ar tropical continental, seca e quente, intensifica o desconforto térmico. A aproximação do solstício de verão aumenta a duração da luz solar, amplificando os efeitos da onda de calor. Estas condições conjugadas explicam o aumento anormal das temperaturas.
A possibilidade de se atingirem valores recorde de temperatura para o mês de maio é real. Para que esses números sejam oficialmente reconhecidos, é necessário que as estações meteorológicas nacionais validem os registos. A verificação cabe ao IPMA, AEMET e Meteo-France, conforme os países afetados. Só após a validação é que se poderá classificar este episódio como histórico.
Autoridades monitorizam dados e evolução do calor
As previsões apontam para a continuação do calor até sábado, 31 de maio. Os mapas meteorológicos mostram a persistência das condições atuais em grande parte do território português. A ocorrência de valores superiores a 40 graus é considerada provável em zonas do interior. Esta situação tem sido acompanhada pelas autoridades meteorológicas e poderá justificar avisos de calor extremo.
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Entre os impactos esperados estão o aumento do consumo de energia e o agravamento do risco de incêndios. Os setores da saúde e da agricultura também poderão ser afetados por este fenómeno. A população é aconselhada a adotar medidas preventivas, como a hidratação e a redução da exposição solar. O calor pode representar um perigo, sobretudo para os grupos mais vulneráveis.
Comportamento térmico varia conforme a localização
As zonas do interior centro e sul de Portugal tendem a ser mais afetadas por ondas de calor. Já o litoral, influenciado pelo oceano Atlântico, poderá registar temperaturas ligeiramente mais moderadas. No entanto, segundo a mesma fonte, a atual crista anticiclónica tem uma influência generalizada, que reduz essas diferenças habituais. As temperaturas noturnas também permanecem elevadas, o que contribui para o desconforto.
Nas zonas urbanas, o fenómeno das ilhas de calor pode agravar a situação. A concentração de betão e asfalto impede o arrefecimento noturno, mantendo as temperaturas elevadas durante mais tempo. Este efeito é mais pronunciado nas grandes cidades. A conjugação com o calor diurno potencia situações de sobreaquecimento nos edifícios e ruas.
Especialistas alertam para o caráter excecional do episódio
Juan González Alemán destaca a intensidade incomum da situação meteorológica atual. O meteorologista considera que o comportamento atmosférico deste final de maio é consistente com os fenómenos extremos verificados nos últimos anos. A comparação com as séries climatológicas entre 1940 e 2025 reforça o carácter excecional deste episódio. Os especialistas continuam a analisar os dados recolhidos. “O verão meteorológico aproxima-se (junho-julho-agosto) e a atmosfera começa a mostrar o seu comportamento extremo típico dos últimos anos”, sublinha Juan González Alemán.
A evolução do fenómeno será observada nos próximos dias para avaliar a sua duração e impacto. Caso as temperaturas se mantenham elevadas ou subam ainda mais, outros recordes poderão ser ultrapassados. A população deverá seguir atentamente os avisos das autoridades meteorológicas. A possibilidade de novas ondas de calor no verão não está excluída.
Impacto nas estatísticas climáticas pode ser duradouro
Se forem confirmados novos máximos históricos, os dados de maio de 2025 poderão alterar as médias climatológicas futuras. A frequência e intensidade de ondas de calor são indicadores importantes nas análises de alterações climáticas. Por esse motivo, a monitorização rigorosa e a validação científica são fundamentais. As consequências deste episódio poderão refletir-se nas estatísticas dos próximos anos.
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