Muitas famílias portuguesas estão a receber contas de água, eletricidade e gás que não correspondem ao consumo efetivo, alerta a DECO PROTeste, portal especializado na defesa do consumidor. Os casos de valores inesperadamente elevados têm-se multiplicado, suscitando preocupações entre os consumidores e obrigando a uma maior atenção à leitura dos contadores.
Leituras irregulares e estimativas que pesam no bolso
De acordo com Margarida Pinto, jurista da DECO PROTeste, “as reclamações são recorrentes no que diz respeito aos serviços públicos essenciais”. A especialista explicou, em declarações à CNN Portugal, que muitos consumidores acreditam que os contadores inteligentes registam constantemente o consumo, mas meses a fio podem surgir faturas elevadíssimas que não refletem a realidade.
Segundo a mesma fonte, um dos problemas mais comuns prende-se com a periodicidade das leituras, que nem sempre coincide com o ciclo de faturação. “Verificamos que as leituras não estão a ser feitas com a regularidade que seria desejável”, sublinha Margarida Pinto.
Este desfasamento leva a que os valores das faturas sejam frequentemente calculados por estimativa, o que pode resultar em encargos muito acima do consumo real.
Consumidores têm de assumir controlo do consumo
Para minimizar este risco, a jurista aconselha os consumidores a comunicarem eles próprios o consumo ao operador de rede, especialmente quando não existe um contador inteligente. “Se o operador de rede não dispõe de dados porque ainda não realizou a leitura presencial, o consumidor deve reportar o seu consumo.
Idealmente, essa comunicação deve ocorrer próximo do fim do período de faturação, de modo a abranger o máximo de consumo real possível e evitar comparações baseadas apenas em estimativas”, explicou Margarida Pinto.
A questão não se limita à eletricidade. A especialista sublinha que os problemas são transversais aos serviços públicos essenciais, incluindo água e gás, o que significa que qualquer família pode ser afetada. A recomendação é simples, mas eficaz: acompanhar de perto o consumo e não depender exclusivamente das leituras automáticas ou estimativas das empresas fornecedoras.
Consequências financeiras de faturas desajustadas
A DECO PROTeste alerta que a falta de atenção a estes detalhes pode ter consequências financeiras significativas. Contas inflacionadas podem acumular-se, e só uma verificação ativa do próprio consumidor garante que os valores cobrados correspondem ao consumo real.
Segundo Margarida Pinto, a transparência no registo do consumo é a forma mais segura de evitar surpresas desagradáveis.
Em suma, o aviso da associação é claro: os consumidores devem assumir um papel mais interventivo na gestão do consumo energético e de água.
Comunicar leituras, verificar regularmente faturas e questionar discrepâncias são passos essenciais para garantir que o que se paga é, de facto, o que se consome, conclui a jurista da DECO PROTeste.
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