O Hospital de Santa Marta, em Lisboa, ultrapassou a marca dos 500 transplantes pulmonares realizados, um número que assinala 25 anos de atividade do único centro de transplantação pulmonar do país. O transplante que simbolizou este marco foi efetuado a Francisco Borges, de 67 anos, que recupera após uma intervenção destinada a tratar uma fibrose pulmonar idiopática em estado avançado. De acordo com a agência de notícias Lusa, o programa soma atualmente 508 transplantes, embora continue condicionado pela escassez de dadores.
O coordenador cirúrgico da Unidade de Transplantação Pulmonar da ULS São José, Paulo Calvinho, considera que este número representa a consolidação de um projeto iniciado em 2001. O responsável recorda que o programa começou de forma pioneira e tem vindo a crescer de forma sustentada ao longo dos últimos anos.
Para o cirurgião, a marca dos 500 transplantes deve ser encarada como um momento de reflexão sobre o caminho percorrido e os desafios que permanecem. “Cada transplante foi um transplante especial” e “os números redondos” servem para celebrar o percurso e preparar o futuro, afirmou.
O doente que assinalou o transplante número 500
Francisco Borges chegou ao Hospital de Santa Marta depois de um agravamento progressivo da doença. Antes disso, tinha sido acompanhado no Hospital Egas Moniz e aguardou cerca de três anos em lista de espera por um órgão compatível.
Durante esse período, foi chamado por três vezes, mas o transplante acabou por não avançar. Além da doença pulmonar, enfrentou problemas cardíacos que obrigaram à sua saída temporária da lista de espera, regressando apenas após concluir o tratamento necessário.
Recuperação ainda em curso
Apesar de continuar internado, Francisco Borges apresenta uma evolução considerada positiva. O processo de recuperação prolongou-se devido à necessidade de um programa intensivo de reabilitação antes da alta hospitalar.
À Lusa, o doente descreveu a diferença sentida desde a operação. “É gratificante, é rejuvenescedor, a pessoa sentir que já respira sem nada daquilo e que tem capacidade de respirar muito mais”, afirmou, sublinhando que o esforço da recuperação tem valido a pena.
“Já tenho força para me aguentar em pé”
Francisco Borges admite que as primeiras semanas após a cirurgia foram exigentes, mas refere que já recuperou parte da autonomia. “Já tenho força suficiente para me aguentar em pé, para fazer o dia a dia normal, para vir aqui ao hospital, para fazer as refeições, para fazer a fisioterapia”, explicou.
O doente deixou ainda uma mensagem para quem possa enfrentar a mesma situação. Conforme a mesma fonte, considera que o caminho exige persistência, mas acredita que “a vida depois do transplante é outra”.
Crescimento condicionado pela falta de dadores
O programa de transplantação pulmonar tem registado uma evolução constante. Depois de realizar apenas dois a quatro transplantes anuais nos primeiros anos, o centro ultrapassa atualmente as quatro dezenas de intervenções por ano. Em 2025 foram efetuados 46 transplantes e, este ano, o ritmo mantém-se superior ao do mesmo período do ano anterior.
Paulo Calvinho acredita que será possível atingir entre 50 e 60 transplantes anuais. No entanto, refere que a principal limitação continua a ser a disponibilidade de órgãos, numa altura em que existem 67 doentes inscritos na lista de espera para transplante pulmonar.
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