
O bispo José Ornelas garante, em entrevista à agência Lusa, que há “orientações muito claras” para não tolerar abusos na Igreja. E em entrevista ao “Público” admite que “não veria mal a possibilidade de termos padres casados”.
“A nossa posição de princípio é bem clara. É uma situação que com a qual não há possibilidade de pactuar”, disse José Ornelas, admitindo, no entanto, que não pode prometer o fim destes crimes dentro da Igreja Católica.
“Gostaria muito de dizer que vamos cortar e acabar. Não o garanto, porque isso ninguém pode garantir”, disse o novo presidente da CEP, eleito para o cargo na terça-feira.
Para José Ornelas, a melhor prevenção passa pela criação de condições que permitam evitar este tipo de situações o mais possível e pela “criação de uma cultura que não tolera coisas destas”.
“Em segundo lugar, é saber como agir com coerência. Temos orientações da Igreja muito claras nesse sentido. Temos procurado aplicá-las, no sentido de uma transparência que torne claro para todos que isto não são comportamentos toleráveis. E se acontecem temos de tirar as devidas consequências e não podem continuar”, concluiu.
PADRES CASADOS? TALVEZ
José Ornelas disse à Lusa não ficar incomodado se vier a ficar conhecido como “bispo vermelho” pelas suas posições, tal como no passado o antigo bispo Manuel Martins (já falecido) ficou conhecido, por assumir um posicionamento próximo da luta dos trabalhadores no pós-25 de Abril.
E também este domingo dá uma entrevista ao “Público” onde admite com naturalidade a possibilidade de haver padres casados.
“Na diocese de Setúbal temos um padre casado, com a sua mulher e três filhos e que até já tem um neto. É da Igreja Católica, mas de rito oriental. O que se discute agora é se isto poderá ser feito na Igreja de rito latino, onde o celibato foi instituído como normal. Eu não veria mal a possibilidade de termos padres casados dentro da nossa Igreja. Não vejo mal nisso”, afirmou José Ornelas ao “Público”.
“Agora a discussão não se deve colocar porque temos pouco padres; deve incidir naquilo que é o sacerdócio e no que ele significa para a Igreja como um dos mistérios fundamentais. E teríamos de ver como é que ele se exerce, porque é evidente que, se tivermos padres casados ao serviço da Igreja, isso vai obrigar-nos a reorganizar a função sacerdotal. Mas outras igrejas que têm a tradição de padres casados resolveram esse problema e também nós também haveríamos de resolvê-lo”, acrescentou.
– Notícia publicada pelo Expresso.
















