As autoridades nacionais estão em alerta máximo devido à circulação descontrolada de uma substância psicoativa que invadiu a noite portuguesa e os eventos recreativos. O que parecia ser uma moda passageira transformou-se num problema de saúde pública, com os registos policiais a mostrarem uma escalada sem precedentes no tráfico e consumo deste produto perigoso. Os números mais recentes confirmam que a situação atingiu proporções alarmantes no último triénio.
Dados provisórios revelam que as apreensões de botijas de óxido nitroso, popularmente conhecido como gás do riso, aumentaram quase quinze vezes num curto espaço de tempo. A informação consta nos registos da Guarda Nacional Republicana (GNR), divulgados pela agência Lusa, portal de notícias nacional, traçando um cenário de crescimento exponencial do mercado ilícito.
Os números são avassaladores e mostram que as autoridades confiscaram apenas 175 botijas em 2023, mas o valor disparou para 2.615 unidades em 2025. Este aumento representa uma subida vertiginosa de 1.394 por cento em apenas três anos, sinalizando uma procura agressiva por parte dos consumidores.
Uma escalada incontrolável
Indica a mesma fonte que a tendência de crescimento foi gradual em 2024, com 207 apreensões, antes de explodir completamente no ano seguinte. Além das botijas industriais, as forças de segurança recolheram ainda dezenas de balões e centenas de cápsulas utilizadas para a inalação direta do gás.
O número de pessoas intercetadas na posse desta substância ilegal também acompanhou a curva ascendente do material apreendido. Se em 2023 foram identificados apenas 24 suspeitos, no ano passado esse registo saltou para 60 pessoas, totalizando mais de uma centena de identificações no período em análise.
Fiscalização aperta o cerco
A vigilância mantém-se apertada no início deste ano, como prova uma operação de grande envergadura realizada logo no dia 3 de fevereiro no Montijo. Numa única ação de fiscalização a uma empresa de transporte de mercadorias, os militares detetaram e apreenderam mais de duas mil botijas de óxido nitroso prontas a entrar no circuito.
Explica a referida fonte que esta substância integra a lista oficial de novas substâncias psicoativas desde 2022, estando sujeita a regras muito restritas. A sua produção, venda ou posse são estritamente proibidas por lei fora dos contextos industriais ou farmacêuticos devidamente autorizados pelo Infarmed.
Riscos severos para a saúde
A legislação visa travar qualquer tipo de comercialização recreativa, abrangendo desde a venda ambulante até às transações realizadas online. Quem for apanhado a produzir, distribuir ou vender este gás enfrenta coimas pesadas no âmbito das contraordenações previstas no regime jurídico em vigor.
O consumo deste gás, diz a GNR, está associado a “efeitos rápidos, mas de curta duração, de euforia, relaxamento, calma e dissociação da realidade”. No entanto, os efeitos secundários podem ser devastadores, incluindo envenenamentos graves, queimaduras por frio e lesões pulmonares severas que exigem assistência hospitalar.
O perigo das festas noturnas
A GNR nota que o produto surge frequentemente ligado a contextos de diversão noturna, festivais de música e ajuntamentos de jovens. A facilidade de acesso e a falsa perceção de segurança têm contribuído decisivamente para a disseminação do consumo nestes ambientes lúdicos.
Explica ainda a agência Lusa que o Observatório Europeu das Drogas tem emitido alertas constantes sobre os danos neurológicos causados pela exposição prolongada a esta substância. A utilização recreativa do gás do riso constitui um risco real que pode deixar sequelas permanentes no sistema nervoso dos utilizadores.
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