No Dia Mundial do Ambiente, celebrado na última quinta-feira (5 de junho), a Pordata revelou novos dados sobre o estado ambiental do país. Entre os números sobre emissões, resíduos e áreas protegidas, um registo geográfico sobressai: há uma cidade portuguesa onde a chuva cai com mais frequência (a cada três dias) e, ao mesmo tempo, onde os termómetros mais subiram desde os anos 60.
A cidade em causa não está no litoral nem no sul. É uma capital de distrito do interior norte, junto à fronteira com Espanha.
Um dia de chuva a cada três dias
De acordo com a base estatística da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Bragança é a cidade mais chuvosa de Portugal, registando precipitação em um em cada três dias. Mas a frequência da chuva não impede os efeitos das alterações climáticas.
Desde 1960, a temperatura máxima média em Bragança subiu de 17,2 graus para 20,1 graus, um aumento de quase três graus, o maior entre todas as estações meteorológicas analisadas. Segundo a mesma fonte, trata-se da variação mais acentuada registada em território nacional nas últimas seis décadas.
Outras cidades, como Lisboa, Beja, Castelo Branco e Funchal também evidenciam aumentos significativos. No Funchal, por exemplo, as temperaturas mínimas e médias subiram mais de 2 graus desde 1960, escreve a publicação.
Mais calor no solo
Em termos globais, Portugal tem registado progressos. Em 2023, as emissões de gases com efeito de estufa situaram-se nas cinco toneladas de CO₂ por habitante, colocando o país entre os três com menores emissões per capita da União Europeia. Apenas Malta (4,1 toneladas) e Suécia (4,2 toneladas) apresentaram valores inferiores.
As emissões automóveis também têm vindo a descer. De acordo com a Pordata, os carros em Portugal emitiam 169g de CO₂ por quilómetro em 2000; em 2023, esse valor fixou-se nos 90g, o que coloca o país na sexta posição europeia neste indicador.
A indústria polui mais por euro gerado
Apesar da tendência de redução nas emissões dos transportes, a indústria portuguesa mantém níveis elevados de poluição. Em 2022 foram libertadas 2,24 gramas de partículas finas por cada euro de riqueza criada. Acrescenta a publicação que este é um dos piores desempenhos da União Europeia.
A responsabilidade recai sobretudo nas indústrias química e do papel. A análise da Pordata é clara: “A riqueza gerada não compensa a poluição emitida”.
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Cresce o lixo, falta destino
Outro dado relevante está relacionado com a produção de resíduos urbanos. Portugal gerou 5,6 milhões de toneladas em 2023, o dobro do que se verificava em 1995. Trata-se de uma média de 1,4 kg por habitante por dia, refere a mesma fonte.
Mais de metade desses resíduos (54%) têm como destino o aterro. Apenas 17% são valorizados organicamente, outros 17% transformados em energia e 12% tratados por separação multimaterial. Segundo a Pordata, Portugal encontra-se entre os países europeus que mais resíduos envia para aterro.
O mar protegido, a terra nem tanto
Na proteção do ambiente marinho, Portugal tem vindo a destacar-se. Está prevista, ainda este ano, a ultrapassagem dos 200 mil km² de áreas marinhas protegidas, com a criação do novo Parque Natural Marinho do Recife do Algarve, Pedra do Valado, e a revisão do Parque Marinho dos Açores, que entra em vigor em setembro.
No território terrestre, o cenário é menos animador. Apenas 22,4% do país é considerado área protegida, colocando Portugal na 12.ª posição com menor percentagem na UE. Apenas 16,3% do solo nacional é utilizado para agricultura, mas o país lidera em proporção de território coberto por arbustos: 17,5%.
A qualidade da água das praias costeiras mantém padrões elevados. A esmagadora maioria foi classificada como “excelente”. No entanto, apenas 67% das praias fluviais e lacustres atingem esse nível, explicando o site que há margem para melhoria nos ambientes aquáticos do interior.
Onde a chuva e a história se cruzam
Para além do título de cidade mais chuvosa do país, Bragança guarda também um património histórico de relevo. As muralhas do seu castelo desenham um coração, abraçando a antiga cidadela. É aí que se inicia o percurso pela cidade, quer entrando pela Porta do Sol, a leste, quer pela Porta da Vila, a oeste.
Segundo o blog Vaga Mundos, no largo do castelo destaca-se a Torre de Menagem, com o Museu Militar no seu interior, bem como a lendária Torre da Princesa. A Igreja de Santa Maria, com origens românicas e detalhes barrocos, e o Domus Municipalis, edifício românico único na Península Ibérica, reforçam o valor do centro histórico.
Ainda dentro da cidadela, o Museu Ibérico da Máscara e do Traje expõe as tradições dos Caretos. Fora das muralhas há pontos de interesse, como o Jardim do Castelo, a Fonte da Rainha e a Capela de Nossa Senhora da Saúde.
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