A vida de luxo de um cidadão nacional de 25 anos sofreu um revés abrupto após uma investigação internacional cruzar dados financeiros e atividades digitais. O que parecia ser um sucesso económico precoce, marcado pela aquisição de bens de elevado valor, revelou-se fruto de um esquema complexo que operava na sombra da internet. As autoridades seguiram o rasto do dinheiro até à origem ilícita dos fundos que sustentavam o seu dia a dia.
O jovem terá acumulado lucros superiores a 654 mil euros através de atividades que agora o levam ao banco dos réus. De acordo com o Jornal de Notícias, esta fortuna foi construída entre 2015 e 2022 à custa da privacidade de terceiros e da venda de informações sensíveis.
Investimento em bens de luxo
A investigação do Ministério Público detetou que uma fatia considerável dos ganhos ilícitos foi rapidamente aplicada em ativos visíveis e dispendiosos. O arguido terá gasto cerca de 300 mil euros na compra de uma habitação própria e de um automóvel elétrico da marca Tesla.
Indica a mesma fonte que estes sinais exteriores de riqueza contrastavam com a ausência de uma atividade profissional regular que justificasse tais montantes. O capital provinha, na verdade, da gestão de uma plataforma online dedicada à transação de dados bancários e credenciais de acesso furtadas.
O negócio dos dados privados
O esquema envolvia a administração do “RaidForums”, um espaço virtual onde eram comercializadas informações confidenciais de cidadãos e empresas. Este mercado digital servia de ponto de encontro para milhares de utilizadores que procuravam comprar e vender segredos alheios para fins ilícitos.
A dimensão da plataforma era tal que a Europol a sinalizou como uma das maiores do mundo no seu género, com dezenas de milhares de registos. O jovem teria iniciado este empreendimento com apenas 19 anos, gerindo o fluxo de informação e lucrando com as comissões e vendas geradas no site.
Justiça no norte de Portugal
Embora se encontre atualmente a cumprir prisão domiciliária em Londres, no Reino Unido, o caso será decidido pela justiça portuguesa. Foi determinado que o julgamento decorrerá no Tribunal de Guimarães, onde o processo será analisado em detalhe.
Explica a referida fonte que a escolha do local se deve ao facto de os principais crimes terem sido alegadamente praticados a partir dessa zona geográfica. O processo envolve acusações pesadas de acesso ilegítimo e branqueamento de capitais.
Acusações de branqueamento
As autoridades sustentam que o jovem utilizou o sistema financeiro para dissimular a origem ilícita dos montantes elevados que movimentava. A compra dos bens de luxo, como a casa e o veículo, é vista pela acusação como uma forma de integrar o dinheiro sujo na economia legal.
Explica ainda o Jornal de Notícias que o arguido enfrenta agora as consequências de ter lucrado com a vulnerabilidade digital de inúmeras vítimas. O julgamento promete revelar como um único indivíduo conseguiu movimentar mais de meio milhão de euros a partir do seu computador pessoal.
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