Há ideias que continuam a circular entre condutores sempre que se fala de álcool e condução. Beber café, tomar banho frio, comer muito, fazer exercício ou mastigar uma pastilha elástica são alguns dos exemplos mais repetidos por quem acredita que é possível reduzir rapidamente o efeito da bebida ou enganar um teste do balão à alcoolemia, e que a PSP veio desmentir.
A PSP voltou a alertar para estes mitos, lembrando que nenhum destes comportamentos elimina o álcool do organismo nem torna a condução segura. O aviso é simples, mas continua atual: se vai conduzir, não beba; se bebeu, não conduza.
Os ‘truques’ que não funcionam
Um dos ‘truques’ mais comuns é o café. Pode deixar a pessoa mais desperta, mas não retira álcool ao sangue. O organismo continua a metabolizar a substância ao seu próprio ritmo, sobretudo através do fígado.
O mesmo se aplica a banhos frios, bebidas energéticas ou algumas horas de sono. Podem alterar a sensação de alerta, mas não aceleram de forma relevante a eliminação do álcool.
A PSP lembra que o corpo humano não tem atalhos para expulsar rapidamente a bebida ingerida. A passagem do tempo continua a ser o fator determinante.
Comer muito também não resolve
Outro erro frequente é acreditar que uma refeição pesada permite beber e conduzir sem risco. Comer pode atrasar a absorção do álcool, fazendo com que os efeitos demorem mais tempo a aparecer. No entanto, isso não impede que o álcool chegue à corrente sanguínea nem garante que o condutor fique abaixo dos limites legais.
Esta falsa sensação de controlo pode até ser perigosa, porque leva muitas pessoas a subestimarem o impacto da bebida.
Suar não elimina o álcool
Também há quem acredite que fazer exercício físico ajuda a “queimar” o álcool. Segundo a PSP, o corpo elimina apenas pequenas quantidades através do suor, da urina ou da respiração. A maior parte é processada pelo fígado, num ritmo que não depende de correr, transpirar ou fazer esforço físico intenso.
Na prática, o exercício pode cansar ainda mais o condutor e agravar a falta de atenção, em vez de resolver o problema.
O mito de conhecer os próprios limites
Muitos condutores dizem saber até onde podem beber antes de pegar no carro. Mas o álcool afeta precisamente a capacidade de avaliar riscos.
Mesmo antes de existirem sinais claros de embriaguez, podem surgir alterações no tempo de reação, na visão, na coordenação motora e na tomada de decisão. Ao volante, essas diferenças podem ser suficientes para aumentar o risco de acidente. Por isso, confiar apenas na perceção pessoal é uma das armadilhas mais perigosas.
Pastilhas e sprays não enganam o balão
Outro mito antigo envolve pastilhas elásticas, sprays bucais ou produtos com cheiro forte. Estes produtos podem disfarçar o hálito, mas não alteram o resultado do teste. O alcoolímetro mede o álcool presente no ar expirado dos pulmões, associado à concentração de álcool no sangue, e não apenas o cheiro da boca. Assim, mascarar o odor não muda a taxa de alcoolemia.
O que diz a lei
Em Portugal, a regra geral permite conduzir com uma taxa inferior a 0,5 gramas de álcool por litro de sangue.
O limite é mais apertado para condutores em regime probatório, condutores de veículos de socorro ou serviço urgente, transporte coletivo de crianças, táxis, TVDE, pesados de passageiros ou mercadorias e transporte de mercadorias perigosas. Nestes casos, o limite é de 0,2 gramas por litro.
Entre 0,5 e 0,8 gramas por litro, a infração é considerada contraordenação grave. Pode dar coima entre 250 e 1.250 euros, perda de três pontos na carta e inibição de conduzir entre um mês e um ano.
Entre 0,8 e 1,2 gramas por litro, passa a contraordenação muito grave, com coima entre 500 e 2.500 euros, perda de cinco pontos e inibição de conduzir entre dois meses e dois anos.
A partir de 1,2 gramas por litro, conduzir sob efeito do álcool constitui crime, punível com pena de prisão até um ano ou multa até 120 dias, além da perda de seis pontos na carta.
A recomendação continua a ser simples
Apesar dos mitos, dos limites legais e da confiança que muitos condutores dizem ter no próprio corpo, a recomendação das autoridades não mudou.
A forma mais segura de evitar multas, perda de pontos, inibição de conduzir ou acidentes é não beber quando se vai conduzir.
No final, os ‘truques’ podem parecer inofensivos, mas não mudam a realidade: café, comida, exercício ou pastilhas não retiram álcool ao sangue nem impedem que o teste do balão acuse.
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