O atleta paralímpico de natação adaptada, Marco Meneses, quer entrar no Ensino Superior, mas está preso a uma situação invulgar: fez o exame nacional de Português, teve 9,3 valores, mas não consegue aceder à prova para avaliar um eventual pedido de reapreciação. Segundo a SIC Notícias, ninguém sabe onde está o exame.
A nota ficou a apenas duas décimas dos 9,5 valores, classificação que lhe permitiria candidatar-se ao Ensino Superior ao abrigo do estatuto de alta competição. O atleta, medalha de bronze nos 400 metros livres nos últimos campeonatos do mundo paralímpicos, diz estar sem saber o que fazer perante a falta de resposta.
Prova não aparece e revisão fica bloqueada
De acordo com a SIC Notícias, Marco Meneses, que é cego, não consegue consultar o exame nacional de Português que realizou. Sem acesso à prova, fica também impossibilitado de avançar com um pedido fundamentado de reapreciação, uma vez que não sabe que respostas foram corrigidas nem de que forma foi atribuída a classificação.
O caso ganha particular relevância porque a diferença para a nota mínima é muito curta. Com 9,3 valores, o atleta ficou a escassas duas décimas da classificação que lhe permitiria usar a nota na candidatura ao Ensino Superior com o estatuto de praticante de alta competição.
Habituado à pressão de competições internacionais, Marco Meneses não esperava que um exame nacional lhe causasse tanta ansiedade. Fora da piscina, o atleta está agora dependente de uma resposta administrativa para perceber se pode ou não contestar a nota obtida.
Situação afeta preparação para o Europeu
Além do impacto académico, a indefinição está também a condicionar a preparação desportiva. Marco Meneses tem participação prevista no próximo campeonato europeu, marcado para setembro, na Turquia, mas admite que a situação em torno do exame lhe está a causar ansiedade.
Segundo a SIC Notícias, o atleta nunca sentiu tanta tensão em campeonatos do mundo ou da Europa como aquela que está agora a viver por causa do exame de Português. A incerteza sobre a localização da prova e a impossibilidade prática de pedir reapreciação deixam-no sem saber que passos pode seguir.
O medalhado paralímpico esperava que o processo decorresse de forma normal, permitindo-lhe consultar a prova e decidir se avançava ou não com um pedido de revisão da classificação.
Escola já reportou o caso
O Agrupamento de Escolas de Castro Daire garantiu à SIC Notícias que já contactou o Júri Nacional de Exames e que reportou a situação na plataforma EduQA, assinalando a particularidade do caso de Marco Meneses.
Até ao momento, porém, a escola ainda não obteve resposta. Enquanto isso, o atleta continua sem acesso ao exame e sem possibilidade prática de pedir a reapreciação.
O impasse deixa Marco Meneses numa situação difícil: a nota fica aquém do necessário por apenas duas décimas, mas a falta de acesso à prova impede-o de perceber se há fundamento para contestar a classificação. Para já, resta-lhe aguardar por uma resposta das entidades responsáveis.
















