As relações diplomáticas entre países continuam a desempenhar um papel central na economia global, sobretudo em regiões estratégicas para o comércio, energia e transportes. Nos últimos anos, várias alianças internacionais têm sido reforçadas através de acordos políticos e económicos destinados a consolidar interesses comuns e aumentar a influência regional.
De acordo com a Lusa, o Cazaquistão e a Turquia, cuja capital fica a menos de cinco horas de avião desde Lisboa, assinaram na última quinta-feira, 14 de maio, uma declaração de “amizade eterna” e parceria estratégica durante a visita oficial do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, à capital cazaque, Astana.
Acordo simbólico com impacto económico
A assinatura do documento decorreu no Palácio da Independência, em Astana, e não no tradicional Palácio Presidencial, onde normalmente acontecem receções oficiais a chefes de Estado estrangeiros. Segundo a mesma fonte, o presidente do Cazaquistão, Kasim-Yomart Tokayev, afirmou que o acordo deverá impulsionar uma nova fase nas relações entre os dois países.
Tokayev destacou ainda o crescimento do comércio bilateral. No último ano, as trocas comerciais entre Turquia e Cazaquistão aumentaram 8,8%, ultrapassando os 5,4 mil milhões de dólares.
Comércio pode crescer ainda mais
O chefe de Estado cazaque defendeu a criação de novas condições para ampliar e diversificar o comércio entre os dois países. Acrescenta a agência noticiosa que o Cazaquistão acredita ter capacidade para aumentar as exportações para a Turquia em dezenas de setores económicos. Segundo a mesma fonte, o valor potencial dessas exportações poderá ultrapassar os 630 milhões de dólares. Tokayev referiu ainda que a cooperação empresarial, financeira e tecnológica deverá ganhar maior dimensão nos próximos anos.
Um dos temas centrais da visita oficial esteve relacionado com a chamada Rota Internacional de Transporte Transcaspiana, também conhecida como Corredor Central. Esta infraestrutura é vista como uma alternativa estratégica às rotas tradicionais que passam pela Rússia e pelo Irão. O corredor atravessa vários países e liga a China e o Sudeste Asiático à Europa Ocidental através de caminhos-de-ferro, estradas e transporte marítimo. O trajeto inclui tanto o Cazaquistão como a Turquia.
Erdogan fala numa nova “Rota da Seda”
Recep Tayyip Erdogan considerou que o corredor comercial está a ganhar importância crescente no panorama internacional. Segundo a Lusa, o presidente turco descreveu esta ligação como o equivalente moderno da histórica Rota da Seda. O chefe de Estado turco afirmou ainda que Ancara continuará a incentivar esta rota para o transporte de recursos energéticos destinados ao Ocidente. Erdogan acredita que a cooperação logística entre os dois países poderá ganhar relevância estratégica nos próximos anos.
As duas presidências abordaram também outras áreas consideradas prioritárias. Segundo a mesma fonte, Erdogan afirmou que as relações entre Turquia e Cazaquistão se estão a fortalecer em setores, como energia, defesa, comércio, transportes e logística. O presidente turco anunciou ainda a intenção de aumentar significativamente o volume de comércio bilateral. De salientar que o objetivo passa por atingir os 15 mil milhões de dólares em trocas comerciais entre os dois países.
Astana quer atrair mais investimento
Durante a reunião, Tokayev incentivou empresas turcas a participar em projetos ligados aos portos de Kuryk e Aktau, estruturas consideradas fundamentais para o aumento do tráfego de mercadorias na região. Segundo a mesma fonte, o Cazaquistão pretende aproveitar o crescente interesse internacional no corredor transcaspiano para captar mais investimento estrangeiro e reforçar o papel logístico do país entre a Ásia e a Europa.
Esta foi a segunda visita de Estado de Recep Tayyip Erdogan ao Cazaquistão, depois da deslocação realizada em 2022. O encontro serviu para consolidar uma aproximação política e económica que tem vindo a ganhar expressão nos últimos anos. A assinatura da declaração de “amizade eterna” representa um dos principais símbolos dessa aproximação e surge num momento em que as rotas comerciais internacionais e as alianças estratégicas assumem maior peso na geopolítica global.















