O descanso tornou-se uma peça central na preparação dos atletas que participam nos Jogos Olímpicos de Inverno. Entre viagens, fusos horários e a pressão competitiva, dormir bem deixou de ser apenas uma necessidade biológica para passar a integrar o plano de treino. Técnicas simples, mas consistentes, ajudam a garantir noites mais estáveis e uma recuperação adequada antes das provas.
De acordo com o Notícias ao Minuto, vários especialistas ligados ao Comité Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos têm trabalhado rotinas específicas para melhorar a qualidade do sono dos atletas em contexto competitivo.
Mala com hábitos de casa
Uma das estratégias passa por transportar objetos familiares, como a própria almofada, para tornar o quarto de hotel menos estranho e reduzir a resposta de alerta do organismo.
A psicóloga Emily Clark explica que a criação de um ambiente previsível ajuda o cérebro a reconhecer sinais de segurança, facilitando o adormecer.
Segundo a mesma fonte, exercícios de respiração antes de deitar permitem diminuir a ativação do sistema nervoso e preparar o corpo para o repouso.
O banho quente surge como complemento frequente, contribuindo para a redução da tensão muscular e para a descida gradual da temperatura corporal após sair da água, um dos mecanismos associados ao início do sono.
Menos ecrãs, mais rotina
A exposição a estímulos digitais é outro ponto crítico. O uso do telemóvel ou a visualização de conteúdos intensos perto da hora de deitar é evitado, uma vez que interfere com a produção de melatonina. A audição de música calma aparece como alternativa, funcionando como marcador de transição entre o período de atividade e o descanso.
A regularidade horária assume um papel determinante. O psicólogo Jim Doorley defende que deitar e acordar à mesma hora ajuda a estabilizar o ritmo circadiano, mesmo durante competições com calendários exigentes.
Ir para a cama apenas quando surge sonolência, e não por obrigação, reduz a associação entre o leito e a ansiedade de não conseguir dormir.
Comer, dormir, competir
A alimentação também entra na equação. Refeições pesadas nas horas que antecedem o sono são desaconselhadas, tal como o consumo de bebidas estimulantes.
As sestas prolongadas são evitadas para não comprometer o descanso noturno. Quando as dificuldades persistem, a consulta de um profissional de saúde é considerada parte do processo de preparação.
O que acontece quando o sono falha
As consequências da privação de sono são conhecidas no contexto clínico. O neurologista André Ferreira refere que a falta de descanso compromete a atenção, a memória e a capacidade de decisão, afetando diretamente o desempenho cognitivo.
A sobrecarga neuronal impede os processos de recuperação que ocorrem durante a noite, aumentando o risco de fadiga e de alterações do humor.
No plano nutricional, a especialista Priscila Gontijo aponta para um mínimo de sete horas de sono por noite como referência para a população adulta. O período noturno é determinante para a consolidação da memória e para a manutenção da concentração ao longo do dia.
Segundo o Notícias ao Minuto, as recomendações dirigidas aos atletas coincidem com as orientações gerais para a população, mas a diferença está na disciplina com que estas práticas são aplicadas, transformando hábitos simples em ferramentas de desempenho.
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