Nos últimos dias, médicos e autoridades de saúde europeias têm alertado para o chamado “Desafio do Paracetamol”, uma tendência que se tem espalhado sobretudo pelo TikTok e que incentiva adolescentes a consumir doses elevadas do medicamento para ver quem aguenta mais tempo sem ser hospitalizado. De acordo com a SIC Notícias vários jovens entre os 11 e os 14 anos deram entrada em hospitais com sintomas graves após participarem neste desafio.
O desafio consiste na ingestão intencional de paracetamol, medicamento normalmente usado para aliviar dores leves ou febre, em quantidades superiores às recomendadas. Quem ingerir mais comprimidos sem necessitar de cuidados médicos é considerado o vencedor. Segundo a mesma fonte, há relatos de adolescentes que consumiram até 10 gramas de uma só vez, o equivalente a 20 comprimidos de 500 miligramas.
Riscos graves para a saúde
De acordo com Francisco Goiana da Silva, médico e comentador da SIC, citado pela SIC Notícias, o paracetamol é “extremamente acessível em qualquer casa” e torna-se “nocivo” quando ingerido em excesso.
Em grandes quantidades, o analgésico pode causar vómitos, dores abdominais, alterações do estado de consciência, mal-estar geral, sonolência excessiva e, em casos mais graves, lesões irreversíveis no fígado ou mesmo morte. Normalmente, os sintomas surgem nas primeiras 24 horas após a ingestão.
A dose máxima diária depende da idade e do peso. Para uma criança de 30 quilos, por exemplo, a recomendação é de 60 miligramas por quilo, perfazendo 1800 miligramas ao longo de 24 horas.
Para adultos saudáveis, segundo a Ordem dos Farmacêuticos, o limite é de quatro gramas, sendo que os comprimidos de 500 miligramas ou um grama devem ser tomados em intervalos de quatro a seis horas.
Em caso de sobredosagem, é essencial procurar assistência médica imediatamente, mesmo na ausência de sintomas, porque quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maiores são as hipóteses de recuperação.
Supervisão e regulamentação das redes sociais
Francisco Goiana da Silva considera ainda que este tipo de desafios revela a necessidade de uma “regulação séria das redes sociais” para menores de idade, além de uma maior literacia nas escolas sobre os riscos associados às plataformas digitais.
O médico sublinha que estes desafios, como competições de automutilação, colocam em causa a saúde e segurança de crianças e adolescentes, alertando para a necessidade de supervisão parental e de medidas governamentais que limitem o acesso de menores às redes sociais.
Segundo a SIC Notícias, alguns países, como a Austrália, já tomaram medidas nesse sentido, restringindo a utilização de plataformas digitais por menores.
O especialista conclui que, enquanto não houver regulamentação adequada, continuarão a surgir situações em que a curiosidade e a pressão social conduzem jovens a práticas potencialmente letais, como a que agora se verifica com o consumo excessivo de paracetamol.
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