A discussão sobre a idade ideal para as crianças iniciarem o seu percurso académico formal tem um novo argumento de peso a nível europeu. O país da UE com os melhores desempenhos escolares defende uma abordagem radical no calendário e diz que os alunos só devem entrar na escola com esta idade mais avançada.
A resposta a este mistério educativo aponta para a Estónia, uma nação que adia o arranque do primeiro ciclo para a idade dos 7 anos, e, em alguns casos, mesmo para os 8 anos. A informação e os fundamentos pedagógicos desta opção são avançados pelo jornal Expresso, numa entrevista exclusiva com a responsável máxima pelas políticas de ensino do país báltico. A estratégia procura nivelar o desenvolvimento cognitivo de toda a comunidade infantil antes da exposição a um currículo muito exigente.
O atraso propositado na entrada escolar
A decisão governamental sustenta-se nas indicações dos peritos locais em desenvolvimento cognitivo que avaliam a prontidão emocional das novas gerações. Indica a mesma fonte que muitas crianças ainda necessitam de aprofundar as suas capacidades de regulação social antes de se sentarem numa secretária para aprenderem matérias tradicionais.
O tempo adicional passado nas creches permite afinar o nível de comunicação oral, a capacidade de seguir instruções complexas e a autonomia geral dos mais pequenos. Os alunos que revelam uma maturidade precoce aos 6 anos enfrentam um enorme desfasamento face aos colegas menos desenvolvidos, criando um clima de desigualdade que perdurará por toda a vida escolar.
A descentralização total das escolas
O adiamento da escolaridade obrigatória representa apenas um dos alicerces deste sucesso assinalado com grande destaque na última edição das avaliações PISA. A governação escolar é caracterizada por uma autonomia extrema onde as decisões pedagógicas e disciplinares são tomadas pela pessoa que está mais próxima dos estudantes.
O diretor assume a figura central de contratação e despedimento das equipas docentes, enquanto o professor detém o poder de moldar a organização da sua própria sala de aula. Explica a referida fonte que as autoridades estatais limitam-se a definir o salário mínimo, a traçar o currículo nacional básico e a intervir unicamente em casos de queda acentuada do rendimento escolar.
O combate feroz às desigualdades
O sistema promove uma política férrea para evitar que as condições socioeconómicas das famílias interfiram minimamente no desempenho escolar dos menores. O executivo estónio interveio prontamente quando detetou um caso onde o conselho diretivo separou os alunos de matemática em turmas fortes e turmas fracas.
A gratuitidade do processo de ensino-aprendizagem está inscrita na própria Constituição e impossibilita a criação de qualquer tipo de despesa extraordinária para as famílias. O ministério travou de imediato uma direção escolar que pretendia cobrar valores monetários para a realização de visitas a museus e idas ao teatro em contexto letivo.
O desafio da tecnologia e a inteligência artificial
As turmas heterogéneas e a forte pressão exercida pela sociedade moderna exigem agora muito mais recursos humanos no interior dos recintos letivos. A tutela rejeita de forma perentória a tese de que a inteligência artificial vai diminuir a necessidade de existirem educadores diplomados no futuro.
As novas capacidades de discussão, de pensamento analítico e de trabalho de equipa implicam uma abordagem individualizada que não resulta em turmas com 30 alunos. Explica ainda o Expresso que o limite legal no país báltico está fixado nos 24 elementos por sala, embora a governante defenda abertamente a meta ideal dos 15 estudantes por docente.
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