A ideia de usar um único carregador para quase toda a eletrónica de consumo deixou de ser apenas uma conveniência e está a transformar-se numa regra comum em toda a União Europeia (UE). O objetivo é reduzir a confusão de cabos, facilitar o dia a dia dos consumidores e diminuir o volume de resíduos eletrónicos gerados por carregadores incompatíveis ou desnecessários.
Já a partir de 28 de abril, os novos computadores portáteis vendidos na UE passam a ter de permitir carregamento com fio através de uma porta USB-C. Esta é a última fase de aplicação da chamada Diretiva do Carregador Comum, a Diretiva (UE) 2022/2380.
As primeiras regras já estavam em vigor desde 28 de dezembro de 2024 para equipamentos como telemóveis, tablets, câmaras digitais, auscultadores, colunas portáteis, leitores de e-books, teclados, ratos, consolas portáteis e sistemas de navegação. Com a entrada dos portáteis, o calendário previsto pela UE fica praticamente completo para esta fase da medida.
Por que foi escolhido o USB-C
A escolha do USB-C não foi feita por acaso. A Comissão Europeia (CE) explica que este conector já tinha uma adoção alargada no mercado e permite reunir no mesmo cabo carregamento, transferência de dados e, em muitos casos, vídeo, o que ajuda a criar um padrão mais simples e mais útil para consumidores e fabricantes.
Além da porta comum, Bruxelas quis também harmonizar o carregamento rápido. A ideia é evitar que uma marca limite sem justificação a velocidade de carregamento quando o utilizador recorre a um carregador compatível de outra marca, aproximando a experiência de utilização entre diferentes equipamentos.
O que muda nos portáteis
Na prática, qualquer portátil novo colocado à venda na UE terá de poder ser carregado por USB-C quando se tratar de carregamento com fio. Isso não impede que um fabricante mantenha outros sistemas adicionais, mas o USB-C tem de existir e funcionar para carregar o equipamento, de acordo com a mesma diretiva.
As embalagens também passam a ter de mostrar informação clara sobre as características de carregamento do aparelho e indicar se o adaptador de corrente vem ou não incluído na caixa. A CE considera que esta rotulagem ajuda o comprador a perceber melhor se o carregador que já tem em casa serve para o novo equipamento.
Impacto para os consumidores
Para quem compra tecnologia, a mudança mais visível será a simplificação. Em vez de acumular transformadores e cabos diferentes para o telemóvel, os auriculares, o tablet e o portátil, passa a ser mais fácil depender de um número muito menor de carregadores compatíveis.
A CE estima que estas regras possam poupar cerca de 250 milhões de euros por ano aos consumidores europeus em compras desnecessárias de carregadores. Ao mesmo tempo, Bruxelas aponta para uma redução importante do lixo eletrónico associado a carregadores descartados ou deixados sem uso.
Segundo a Comissão, os carregadores inutilizados representavam cerca de 11 mil toneladas de resíduos eletrónicos por ano. Ao torná-los mais reutilizáveis entre marcas e categorias de produto, a UE procura prolongar a vida útil destes acessórios e reduzir o desperdício.
O que convém verificar antes de comprar
Quem estiver a pensar comprar um portátil deve confirmar se o modelo já aceita carregamento por USB-C e se a informação sobre carregamento está claramente indicada. Essa verificação torna-se ainda mais importante numa fase de transição em que podem coexistir no mercado equipamentos lançados antes e depois da entrada plena das regras para laptops.
















