A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Algarve divulgou uma publicação conjunta com a Autoridade de Gestão do Programa Regional ALGARVE 2030 que evidencia projetos, soluções digitais e intervenções estruturais que reforçam a eficiência hídrica e a redução de perdas na região.
Segundo a CCDR, o Algarve pretende afirmar-se como líder nacional na gestão eficiente e inteligente da água, apoiado por investimentos estruturais financiados pela política de coesão europeia.
A publicação, disponível no site do Programa Regional ALGARVE 2030, reúne exemplos de projetos municipais, iniciativas empresariais e soluções inovadoras que contribuem para o novo paradigma hídrico regional.
Após mais de uma década marcada por seca severa, a CCDR refere que a região vive “um novo ciclo de confiança”, sustentado na inovação, diversificação das origens de água e modernização das redes. O documento destaca que, apesar de a precipitação no Algarve ter diminuído 34% desde 2012, o ano de 2025 registou melhorias significativas, com as seis albufeiras da região a atingirem 72% da sua capacidade no final de setembro — mais do dobro do valor homólogo.
A publicação reforça que “a prioridade tem de ser a eficiência hídrica”, assente em projetos financiados pelo ALGARVE 2030, Fundo Ambiental, orçamentos municipais e investimentos das Águas do Algarve.
Projetos municipais e empresariais em destaque
Entre os exemplos incluídos na publicação:
- Silves: Intervenções que permitiram reduzir perdas de água de 60% para metade.
- Lagos: Ligação da ETAR à Quinta da Boavista para produção de Água para Reutilização (ApR), destinada a rega, marina e espaços verdes.
- Castro Marim: Expansão da rede de abastecimento a zonas anteriormente dependentes de furos ou autotanques.
A nível empresarial, destacam-se:
- Slide & Splash: Operações de economia circular que permitem reutilizar até 21.000 m³ de água por ano.
- Aquashow: Reaproveitamento de 75% da água de lavagem e redução anual de 50 toneladas de CO₂.
O Algarve está também a testar tecnologias emergentes como dessalinização solar, fitorremediação, recolha e armazenamento de águas pluviais e soluções baseadas na natureza para recarga de aquíferos.
Financiamento reforçado para a água e ecossistemas
A reprogramação do ALGARVE 2030 introduziu a prioridade 2F – Água, mobilizando mais 20 milhões de euros, aumentando para 86 milhões o total de fundos estruturais destinados ao reforço da resiliência hídrica.
O ITI – Instrumento Territorial Integrado mantém um papel central na resposta aos desafios associados à água e aos ecossistemas, com impacto relevante nos territórios de fronteira entre Algarve e Alentejo.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, considera que o “futuro do Algarve é bem mais risonho em matéria de resiliência hídrica”, destacando projetos estratégicos como a dessalinizadora de Albufeira e a tomada de água do Pomarão. Acrescenta ainda: “E os sucessos que termos tido no tema da água reforçam a minha convicção de que, mantendo este grau de compromisso e cooperação entre autoridades e entidades nacionais, regionais e locais, seremos capazes de ter sucesso em muitas outras frentes”.
O presidente da CCDR Algarve, José Apolinário, sublinha que “a água é essencial à vida, ao desenvolvimento económico e à coesão territorial”, defendendo trabalho institucional articulado, capacitação técnica e monitorização contínua dos recursos, alinhados com a matriz dos fundos europeus.
Já António Pina, presidente da AMAL, afirma que “com o envolvimento de todos, estamos a trabalhar rumo a um Algarve seguro, autosuficiente e sustentável em recursos hídricos, que se quer cada vez mais eficiente por via da inovação”.
A Agência Portuguesa do Ambiente reforça, através de José Pimenta Machado e Pedro Coelho, que “a região apresenta hoje uma evolução positiva, com uma gestão mais informada e inteligente dos recursos”, sustentando uma base científica essencial ao planeamento futuro.
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