Reservar um espaço público como a praia através da colocação de objetos pessoais pode parecer um gesto inofensivo. Contudo, em determinadas zonas balneares, esta prática viola as regras locais, permite a apreensão do material e pode resultar numa multa elevada.
Os turistas que deixem toalhas, cadeiras, mesas ou chapéus de sol numa praia pública italiana durante a noite, com o objetivo de guardar lugar para o dia seguinte, podem enfrentar uma multa que chega aos 500 euros.
Segundo o jornal britânico Daily Express, as autoridades italianas reforçaram a fiscalização contra os chamados furbetti dell’ombrellone, expressão utilizada para descrever quem tenta apropriar-se temporariamente de uma parcela da praia sem permanecer no local.
Material deixado na praia pode ser apreendido
A fiscalização concentra-se sobretudo no equipamento deixado durante a noite ou por períodos prolongados. Além da multa de 500 euros, os objetos podem ser removidos e apreendidos pelas autoridades.
A recuperação do material poderá depender de um processo administrativo. Quem não conseguir reaver os bens terá ainda de suportar o eventual custo de substituição das cadeiras, toalhas ou chapéus de sol apreendidos.
Operação retirou cerca de 40 objetos da praia
Um dos casos mais recentes aconteceu na zona de Laghetto, em Torre del Greco, perto de Nápoles. Numa operação realizada durante a madrugada, a Guarda Costeira e a polícia municipal encontraram dezenas de objetos abandonados na areia.
De acordo com a agência italiana ANSA, foram retirados e apreendidos cerca de 40 chapéus de sol, cadeiras, mesas e outros equipamentos. Alguns estariam a ocupar continuamente o areal há vários dias.
A operação foi desencadeada após queixas de banhistas e turistas. Segundo a Guarda Costeira, as regras de gestão do domínio marítimo proíbem expressamente deixar equipamento balnear nas praias públicas depois do pôr do sol.
Praias públicas não podem ser ocupadas antecipadamente
As autoridades consideram que deixar objetos na areia durante a noite não corresponde apenas a uma falta de consideração pelos restantes banhistas. O comportamento pode ser tratado como uma ocupação não autorizada de espaço pertencente ao domínio público.
A prática impede outras pessoas de utilizarem determinadas zonas da praia e transforma informalmente um espaço comum numa área reservada. A situação assume maior importância em Itália, onde uma parte significativa da costa é explorada por estabelecimentos privados, de acordo com a fonte anteriormente citada.
O equipamento abandonado também pode dificultar a limpeza do areal, as inspeções de segurança e o acesso de veículos de emergência. Um chapéu de sol mal fixado poderá ainda representar um risco caso o vento aumente durante a noite.
Centenas de equipamentos retirados noutras regiões
As operações não ficaram limitadas à zona de Nápoles. Em Castellabate, na região da Campânia, as autoridades apreenderam cerca de 200 chapéus de sol, cadeiras, espreguiçadeiras e outros objetos durante uma fiscalização noturna.
A intervenção permitiu devolver mais de 3.000 metros quadrados de areal ao uso público, segundo outra notícia da ANSA. As autoridades locais anunciaram que as inspeções continuariam durante o verão.
Na Sicília, uma operação realizada nas praias de Sampieri, Cava d’Aliga e Donnalucata levou à apreensão de 84 chapéus de sol, 27 espreguiçadeiras, duas cadeiras e dois bancos. Foram libertados aproximadamente 2.000 metros quadrados de praia pública.
Como seria em Portugal?
Em Portugal, não existe uma multa nacional específica aplicada automaticamente a quem deixe uma toalha, cadeira ou chapéu de sol no areal para guardar lugar. Contudo, isso não significa que seja permitido ocupar antecipadamente uma zona da praia durante a noite.
O Edital de Praia de 2026, publicado pela Autoridade Marítima Nacional para o continente e a Madeira, proíbe quaisquer ações ou atividades que comprometam o uso público das praias. Também estão interditos o campismo, qualquer forma de pernoita e o abandono de resíduos ou determinados objetos fora dos locais próprios.
Deixar equipamento durante várias horas ou durante a noite, com a intenção de reservar uma parte do areal, poderá ser entendido como uma limitação ao uso público. A avaliação dependerá das circunstâncias, do edital aplicável à praia e dos regulamentos municipais existentes.
O mesmo edital prevê coimas entre 55 e 550 euros para determinadas infrações relacionadas com o incumprimento da sinalização, das normas ou das instruções das autoridades em situações suscetíveis de colocar terceiros em perigo. Este intervalo não corresponde, porém, a uma multa automática pelo simples facto de uma toalha ficar momentaneamente sem vigilância.
A fiscalização pode ser realizada pela Polícia Marítima, pelo município ou por outras autoridades competentes. Assim, embora Portugal não tenha uma penalização nacional igual à anunciada em Itália, deixar cadeiras, toalhas ou chapéus de sol durante a noite poderá levar à remoção do material ou a outras consequências se existir uma regra local ou se a ocupação impedir a utilização pública do areal.















