Nem sempre as medidas que parecem proteger os estudantes trazem apenas benefícios. Um estudo recente sugere que a proibição de telemóveis nas escolas pode ter efeitos negativos sobre a saúde mental dos alunos, principalmente no que toca à solidão emocional.
A solidão que a proibição não evita
De acordo com a investigadora Sanyogita Khare, da Universidade Radboud, nos Países Baixos, “se as escolas decidirem implementar uma proibição total de smartphones, há alguns aspetos que devem ter em conta”. Segundo Khare, os jovens socialmente mais vulneráveis podem sentir-se mais isolados, e os alunos em geral podem acabar por sentir-se “um pouco mais desligados dos amigos”.
O estudo, publicado na plataforma científica PsyArXiv, procurou medir dois tipos de solidão: a social e a emocional. Khare explica que a solidão social relaciona-se com a sensação de pertença a um grupo ou à rede de relações mais ampla, enquanto a solidão emocional diz respeito à proximidade e à intimidade numa amizade mais próxima.
Segundo a mesma fonte, os investigadores não encontraram alterações significativas na solidão social, mas observaram um aumento discreto da solidão emocional após a proibição de telemóveis.
Experiência nos Países Baixos e em Portugal
Nos Países Baixos, a proibição de smartphones e outros dispositivos inteligentes nas salas de aula começou a 1 de janeiro de 2024.
Em Portugal, discute-se aplicar uma medida semelhante, sobretudo para alunos até ao 6.º ano de escolaridade. O estudo sugere que, embora a intenção seja reduzir distrações e melhorar o foco, o efeito social e emocional da medida pode ser mais complexo do que se imaginava.
Khare alerta ainda para a necessidade de atenção ao implementar políticas deste tipo, sublinhando que o impacto varia de aluno para aluno, dependendo da sua rede social e das relações próximas que mantém. “Alguns estudantes podem sentir-se mais isolados, mesmo que a maioria não apresente alterações significativas na solidão social”, acrescenta.
Avaliar o impacto continua a ser um desafio
Outro investigador envolvido na análise, Jonathan Cantor, acrescenta que “o maior problema neste momento é que, para podermos avaliar rigorosamente o efeito destas políticas ao nível escolar, precisamos de ter dados detalhados sobre o tipo de política e quando entrou em vigor”. A compreensão completa dos efeitos ainda depende de estudos mais aprofundados e de recolha de dados continuada.
Segundo a revista especializad em ciências, New Scientist, o estudo levanta questões importantes sobre como equilibrar o bem-estar emocional dos alunos com o controlo do uso de telemóveis nas escolas.
A proibição pode reduzir distrações, mas também pode afastar os estudantes de relações que são essenciais para o seu suporte social e emocional.
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