Um idoso foi encontrado morto no apartamento onde vivia sozinho, em Valência, depois de ter estado desaparecido durante 15 anos. O corpo, já em avançado estado de decomposição, foi descoberto no sábado por bombeiros que responderam a um alerta de infiltração num prédio residencial.
Uma descoberta ao acaso
Os bombeiros foram chamados por um vizinho do andar inferior, preocupado com manchas de humidade que se agravaram com as chuvas, de acordo com o jornal espanhol El País, especializado em informação generalista.
Quando entraram pela janela do sexto andar, encontraram uma cena difícil de descrever: o corpo do homem, que teria hoje 86 anos, rodeado por pombas mortas, insetos e um ambiente de degradação extrema.
Os moradores da zona descrevem o idoso como uma figura discreta, de poucas palavras e hábitos solitários. Reformado, vivia sozinho desde o divórcio e raramente era visto com alguém. “Cumprimentava, mas não se metia com ninguém. Quando deixámos de o ver, pensámos que estava num lar de idosos”, recorda um vizinho.
Um silêncio de 15 anos
A morte passou despercebida durante década e meia. Ninguém deu pela ausência, nem familiares nem autoridades. A casa manteve-se fechada, as contas continuaram a ser pagas automaticamente e a pensão de reforma era depositada todos os meses.
Essa regularidade financeira permitiu que os serviços não fossem interrompidos e que o mistério se prolongasse sem levantar suspeitas, segundo a mesma fonte.
O mais intrigante para os vizinhos é como o cheiro do corpo nunca alertou ninguém. As janelas estavam abertas, e acredita-se que o ar tenha dissipado o odor ao longo dos anos. Foi também por essas aberturas que as pombas terão entrado, deixando o apartamento coberto de penas, ninhos e restos mortais.
O cenário encontrado chocou os bombeiros, habituados a intervenções difíceis, mas pouco preparados para algo assim. A descrição que circula entre os serviços de emergência fala numa “imagem macabra”, resultado de uma longa ausência e do abandono de uma vida esquecida.
Uma morte natural, mas cheia de incógnitas
A Polícia Nacional espanhola continua a investigar o caso, mas descarta qualquer indício de crime. As primeiras análises apontam para uma morte natural, possivelmente ocorrida entre 2009 e 2010. Os dois filhos do homem, com quem já não mantinha contacto há vários anos, foram notificados pelas autoridades, segundo o El País.
O caso, que chocou Valência, deixa um retrato amargo de solidão urbana e esquecimento. Durante 15 anos, o homem esteve ali, atrás da porta 12, invisível para todos, até que a chuva e a curiosidade de um vizinho atento revelaram o que restava da sua presença.
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