Numa altura em que a maioria da população em Portugal gere o orçamento com rigor, existe um pequeno círculo de apelidos que concentra um valor financeiro difícil de imaginar para o cidadão comum. Os dados mais recentes sobre a elite empresarial revelam um fosso gigante, mostrando que apenas meia centena de agregados detém um património que ascende a dezenas de milhares de milhões. As famílias mais ricas do país reforçaram a sua fortuna conjunta, atingindo um montante que demonstra um poder económico absoluto sobre os principais setores de atividade.
Este grupo restrito não só manteve a sua influência como viu os seus ativos valorizarem num ano de contrastes económicos. O topo da pirâmide financeira é ocupado por dinastias que controlam desde a distribuição alimentar à saúde, passando pela indústria e turismo, acumulando um capital que supera largamente a riqueza gerada por regiões inteiras do território nacional.
Os números que definem a elite
De acordo com a Forbes Portugal, que analisa anualmente os grandes patrimónios, estas cinquenta famílias são donas de um total superior a 47 mil milhões de euros. Este valor astronómico equivale a cerca de 16,5 por cento de todo o Produto Interno Bruto nacional registado em 2024, o que ilustra bem a concentração de riqueza existente.
A liderança desta lista continua entregue ao clã Amorim, composto pela viúva e filhas do empresário Américo Amorim. Indica a mesma fonte que estas quatro mulheres detêm, sozinhas, uma parcela de 5,84 mil milhões de euros, sendo a única família portuguesa a marcar presença no ranking internacional das maiores fortunas mundiais.
Mudanças no pódio dos milionários
Logo abaixo do topo, assistiu-se a uma troca de posições relevante. A família Soares dos Santos, proprietária do grupo Jerónimo Martins, recuperou o segundo lugar na tabela. A valorização das ações da gigante do retalho impulsionou o património dos descendentes de Alexandre Soares dos Santos para os 3,2 mil milhões de euros.
Explica a referida fonte que no terceiro posto ficou a família Guimarães de Mello, histórica detentora do grupo CUF e da Bondalti. Com uma fortuna avaliada em 3,1 mil milhões de euros, este agregado continua a ser um dos pilares do setor da saúde privada e da indústria química em Portugal, mantendo uma influência secular na economia.
Novas entradas e subidas vertiginosas
O ranking deste ano traz novidades no restrito lote dos cinco mais poderosos, com a entrada direta de Dionísio Pestana. O empresário do setor hoteleiro viu os seus ativos crescerem significativamente, alcançando quase dois mil milhões de euros e provando a vitalidade do turismo como motor de enriquecimento.
Outra subida de destaque foi a de Maria do Carmo Neves, do grupo farmacêutico Tecnimede, que escalou quinze posições na lista. A boa performance do setor da saúde refletiu-se também na valorização da família portuense proprietária da Bial, demonstrando que a indústria do medicamento está a gerar mais valor do que em anos anteriores.
O luto e a sucessão nos negócios
A lista deste ano fica também marcada pela perda de figuras incontornáveis, como foi o caso de António Mota, líder da Mota-Engil. Apesar do falecimento do seu timoneiro em novembro, a família viu a sua fortuna crescer para os 720 milhões de euros, sustentada pela valorização da construtora nos mercados financeiros.
Explica ainda a Forbes que os cálculos apresentados se baseiam no valor das participações empresariais e na cotação em bolsa à data de dezembro. A avaliação exclui propositadamente contas bancárias pessoais e bens privados não registados, o que significa que a riqueza real destas famílias poderá ser ainda superior aos valores oficiais agora divulgados.
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