Entre 2020 e 2025, o custo de alguns produtos domésticos essenciais disparou em Portugal, pressionando os orçamentos familiares e tornando cada compra mais sentida na carteira. O aumento mais expressivo registou-se no setor energético que, apesar de nem sempre visível no dia a dia, tem um impacto direto nas despesas de inverno.
Só nos últimos cinco anos, segundo dados da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) citados pelo Jornal de Notícias, o preço das garrafas de butano e propano registou subidas que rondam os 36% e 28%, respetivamente.
Impostos pesam mais que o produto
O impacto no bolso das famílias não se deve apenas às flutuações do mercado. De acordo com a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, o aumento contínuo da carga fiscal é a principal responsável pelo encarecimento.
O presidente da associação, João Durão, detalha que numa garrafa vendida entre 30 e 35 euros, mais de 10 euros correspondem a impostos, incluindo o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) e o IVA à taxa de 23%. Só o ISP representa cerca de três euros por garrafa e tem vindo a crescer gradualmente.
Segundo a mesma associação, a situação é particularmente difícil para as famílias do interior e para os consumidores com menores recursos, pelo que defendem que o gás engarrafado seja tratado como um bem de primeira necessidade, com redução do IVA para 6% e eliminação do ISP.
Comparação com Espanha e limitações legais
A diferença em relação a Espanha agrava ainda mais a pressão sobre os consumidores portugueses. No país vizinho, o gás engarrafado é tabelado e subsidiado pelo Governo. Em janeiro, de 2025, uma garrafa de 12,5 quilos custava 15,46 euros, com preços fixados pelas autoridades espanholas.
Além disso, limitações legais em Portugal restringem o armazenamento de garrafas por parte dos revendedores a 20 unidades, enquanto noutros países, como França e Espanha, este limite pode chegar às 60.
De acordo com João Durão, esta limitação aumenta os custos logísticos e impede reduções no preço final, algo que a legislação prometida ainda não resolveu.
Política energética e consequências para os consumidores
O setor critica igualmente os incentivos governamentais à substituição de equipamentos a gás por soluções elétricas, considerando que obrigam à troca de equipamentos ainda funcionais e podem resultar em faturas mais elevadas.
Segundo Durão, os aumentos de impostos e alterações legislativas têm sido muitas vezes justificados pelo Governo com imposições da União Europeia, algo que a associação rejeita.
No plano político, o PCP tem vindo a propor a tabelização do preço do gás engarrafado, sugerindo que cada garrafa passe a custar 20 euros.
A deputada Paula Santos afirmou ao Jornal de Notícias que o gás deve ser considerado um bem essencial e que a subida de preços não se explica apenas pelos impostos, apontando também para margens de lucro elevadas por parte de grandes grupos económicos.
Impacto no dia a dia das famílias
Entre impostos, limites de armazenamento e diferenças com países vizinhos, o gás engarrafado em Portugal tornou-se um bem cada vez mais caro, com impacto direto nas famílias, sobretudo durante os meses de inverno, quando a procura por aquecimento e conforto doméstico é maior, segundo a ERSE.
















