A gestão das poupanças familiares está a mudar, com muitos aforradores a reforçarem aplicações fora dos depósitos a prazo, procurando alternativas com capital garantido. Entre essas opções estão os Certificados de Aforro, um instrumento de dívida do Estado gerido pelo IGCP.
O valor total aplicado em Certificados de Aforro ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 40 mil milhões de euros, chegando aos 40,2 mil milhões no final de 2025, segundo dados do Banco de Portugal. No conjunto do ano, o saldo de subscrições líquidas de resgates ascendeu a 5,45 mil milhões de euros.
Este movimento acontece num contexto em que a remuneração dos novos depósitos a prazo tem estado em níveis baixos. De acordo com dados do Banco de Portugal, a taxa média dos novos depósitos a prazo das famílias situou-se em 1,37% em novembro, depois de uma descida prolongada face aos máximos registados no final de 2023.
Rentabilidade bate a concorrência
A diferença de retorno ajuda a explicar o interesse crescente. Enquanto a taxa média dos novos depósitos a prazo se fixava em 1,37% em novembro, o juro dos Certificados de Aforro manteve-se acima de 2% no final do ano.
Segundo o IGCP, a taxa de juro bruta para novas subscrições de Certificados de Aforro, Série F, foi fixada em 2,057% em dezembro de 2025 e em 2,046% em janeiro de 2026. De acordo com a ficha técnica do produto, a taxa-base é calculada com base na média da Euribor a três meses observada nos dez dias úteis anteriores e tem um teto de 2,50%, podendo ainda existir prémio de permanência a partir do segundo ano.
Aposta forte na bolsa nacional
Além do aforro do Estado, 2025 ficou também marcado pela valorização do mercado acionista nacional. Segundo dados do Banco de Portugal, o valor de mercado das ações cotadas emitidas por empresas portuguesas atingiu 73,4 mil milhões de euros no final de 2025, o nível mais elevado desde 2007.
Em termos anuais, o aumento foi de 14,3 mil milhões de euros face ao fim de 2024, refletindo sobretudo a subida das cotações.
Valorização recorde das empresas
O Banco de Portugal atribui esta variação positiva à valorização das ações de empresas não financeiras e do setor financeiro. No caso das não financeiras, a valorização registada em 2025 foi a mais elevada desde 2009.
Os números mostram que, ao mesmo tempo que as famílias reforçaram o aforro junto do Estado através dos Certificados de Aforro, a bolsa nacional terminou o ano em alta, num contexto de valorização das empresas cotadas.
Leia também: ‘Finalmente’ numa das zonas mais procuradas do país: Mercadona abre novo espaço nesta data
















