A gestão das poupanças familiares está a sofrer uma alteração significativa, com os aforradores nacionais a procurarem refúgio fora da banca tradicional para protegerem o seu capital. A descida generalizada das taxas de juro nos depósitos a prazo levou milhões de portugueses a transferirem o seu dinheiro para um produto de dívida pública que oferece maior rentabilidade e segurança garantida pelo Estado. Os números mais recentes revelam uma corrida sem precedentes a este instrumento financeiro, mostrando onde os portugueses estão a investir cada vez mais o seu dinheiro.
O valor total aplicado em Certificados de Aforro atingiu um novo máximo histórico, fixando-se nos 40,1 mil milhões de euros no final do último ano. De acordo com o Expresso, os dados do Banco de Portugal confirmam que as famílias aceleraram a sua aposta neste produto, em detrimento das soluções oferecidas pelos bancos comerciais.
Apenas durante o ano de 2025, os portugueses subscreveram mais 5,45 mil milhões de euros nestes títulos de dívida. Este movimento massivo de capitais reflete a insatisfação com a remuneração dos depósitos bancários, cujos juros continuam em queda, salvo raras exceções pontuais no mercado.
Rentabilidade bate a concorrência
A principal motivação para esta mudança de estratégia é a diferença clara no retorno financeiro. Enquanto as opções concorrentes dos depósitos a prazo pagavam, em média, apenas 1,37% até ao final de novembro, a rentabilidade dos certificados do Estado mantém-se num patamar superior.
Indica a mesma fonte que, em dezembro, a taxa de juro deste produto fixou-se nos 2,057%, oferecendo um ganho consideravelmente maior do que a média bancária. Embora tenha registado uma ligeira descida para 2,046% em janeiro, o valor continua a ser atrativo para quem procura aplicações de baixo risco, uma vez que o cálculo está indexado à média da Euribor a 3 meses.
Aposta forte na bolsa nacional
Curiosamente, o perfil do investidor português não se limitou apenas a produtos de capital garantido. O ano de 2025 ficou também marcado por um salto significativo no valor investido em ações nacionais, demonstrando uma diversificação das carteiras de investimento das famílias.
Explica a referida fonte que o montante detido pelos portugueses em ações atingiu os 73,4 mil milhões de euros, o valor mais elevado registado desde 2007. Este crescimento de 14,3 mil milhões face ao ano anterior não se deve apenas a novas compras, mas também à forte valorização das empresas cotadas na bolsa de Lisboa.
Valorização recorde das empresas
O regulador bancário justifica este aumento com o bom desempenho dos títulos no mercado de capitais. A variação positiva reflete a subida das cotações tanto das empresas não financeiras como do setor financeiro, que viveram um ano de ganhos expressivos.
Explica ainda o Expresso que, no caso específico das empresas não financeiras, esta valorização foi a mais elevada desde 2009. Estes dados comprovam que, apesar da procura por segurança nos certificados do Estado, os portugueses estão também atentos às oportunidades de rendimento variável proporcionadas pela economia nacional.
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