Em muitas casas portuguesas, pequenos hábitos do dia a dia passam despercebidos e só se tornam visíveis quando já causaram estragos. Detalhes aparentemente insignificantes acumulam-se ao longo do tempo e, quando ocorre um acidente, podem traduzir-se em prejuízos consideráveis.
O problema que passa despercebido
Entre os erros que podem sair caros está a ausência de coberturas adequadas no seguro da habitação, em particular a proteção contra fenómenos sísmicos. Em Portugal, é obrigatório ter seguro de incêndio nos edifícios em regime de propriedade horizontal, mas outras coberturas dependem da contratação voluntária.
Segundo dados do estudo Basef Seguros (Marktest), 41,6% dos residentes em Portugal com 15 ou mais anos possuíam ou beneficiavam, em 2024, de seguro multirriscos habitação; em 2023 este valor situou-se perto dos 43,6%.
Já no que toca aos sismos, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) indica que apenas 19% das habitações têm cobertura de risco sísmico, enquanto 34% têm seguro de incêndio ou multirriscos sem essa cobertura.
Coberturas básicas não chegam
No mercado português, segundo a DECO PROTeste, o multirriscos costuma incluir fenómenos da natureza como inundações e tempestades, mas a cobertura de fenómenos sísmicos é opcional e pode não estar incluída por defeito.
Quem tiver apenas seguro de incêndio fica, por regra, sem proteção para cheias, tempestades e sismos. Verificar a apólice é essencial.
De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, a intensidade e o impacto de eventos meteorológicos extremos têm aumentado na Europa, o que torna ainda mais relevante adequar as coberturas. Note-se, porém, que sismos não são fenómenos meteorológicos.
O que os especialistas recomendam
Segundo estimativas da APS, reportadas pela Expresso, incluir cobertura sísmica num multirriscos pode acrescentar cerca de 50 euros por ano (valores médios que variam consoante o capital segurado e a zona de risco).
Muitas famílias portuguesas assumem que o seguro “multirriscos” protege totalmente as suas casas, mas existem exclusões e opções que exigem confirmação. A ASF recorda que a cobertura sísmica é facultativa, e a DECO PROTeste aconselha a rever as condições e os limites das apólices.
Manter a apólice atualizada é igualmente decisivo para evitar subseguro. Para definir o capital de reconstrução, a APS disponibiliza o Simulador do Custo de Reconstrução de Imóveis (SCRIM); a DECO também aconselha rever os capitais do recheio à medida que se adquirem novos bens.
Prevenir é melhor do que remediar
Não existe, à data, um mecanismo obrigatório que assegure cobertura sísmica a todas as habitações. A ASF entregou ao Governo propostas para um sistema nacional de cobertura do risco sísmico, mas a medida ainda está em análise. Até lá, a responsabilidade de contratar e atualizar as coberturas adequadas é de cada proprietário.
Leia também: Mudou-se para Espanha para se reformar e acabou a trabalhar nas limpezas: como se ‘destruiu’ uma vida
















