A Ford enfrenta um problema persistente nos Estados Unidos: os concessionários da marca têm atualmente 5.000 vagas de mecânico em aberto e encontram dificuldade em atrair profissionais qualificados.
De acordo com o The Wall Street Journal, jornal especializado em economia e negócios, o CEO da empresa, Jim Farley, alertou em Novembro para a situação durante um podcast, referindo que algumas oficinas estão completamente equipadas mas sem ninguém para trabalhar nelas.
Profissão exigente e investimento inicial elevado
Os postos em falta podem chegar a pagar 120 mil dólares (111.600 euros) por ano, mas exigem pelo menos cinco anos de formação especializada. Segundo o mesmo jornal, apenas uma pequena parte dos mecânicos permanece tempo suficiente na profissão para atingir este nível salarial.
O trabalho é fisicamente exigente e o investimento inicial elevado, já que os técnicos precisam de adquirir ferramentas caras, enquanto o salário inicial nem sempre é atrativo. Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA indicam que, em 2024, a média salarial para um mecânico ou técnico de concessionário se situava nos 58.580 dólares (54.500 euros).
Ted Hummel, um dos técnicos de maior estatuto da Ford, com um rendimento de cerca de 160 mil dólares (48.800 euros no último ano, descreveu o percurso como longo e exigente. Hummel frequentou um curso técnico de dois anos em tecnologia automóvel, com um custo de cerca de 30 mil dólares (27.900 euros). Apesar das promessas de altos salários, o início da carreira revelou-se difícil.
O primeiro emprego surgiu numa oficina de escapes em 2007, com um ordenado inferior a 10 dólares (9,3 euros) por hora, antes de ingressar na Ford em 2012. Atingir um salário de seis dígitos exigiu anos de experiência, certificações e investimento próprio em equipamento, culminando em 2022 com o seu primeiro ano acima dos 100 mil dólares (93.000 euros), aos 36 anos.
Um dos fatores que tornam a profissão tão lucrativa para quem atinge a excelência é o sistema de pagamento por produção, conhecido como taxa fixa, em que os técnicos recebem um valor pré-definido por cada serviço, independentemente do tempo despendido.
Como explica Rich Klaben, presidente do Klaben Auto Group, proprietária de concessionárias Ford, este modelo permite recompensar os trabalhadores mais rápidos e produtivos, garantindo que a produtividade se traduza em remuneração.
Custos para consumidores e desafios salariais
A escassez de mecânicos também impacta os clientes. Segundo a mesma fonte, os custos de manutenção e reparação automóvel aumentaram mais rapidamente do que a inflação, com um crescimento de 6,9% em Novembro em relação ao ano anterior.
Entre 2014 e 2024, os preços das reparações subiram 59%, enquanto os salários dos mecânicos cresceram apenas 34%. A Ford tem procurado combater a falta de profissionais através de 33 centros de formação nos EUA e oferecendo bolsas de estudo para propinas e aquisição de ferramentas.
Ainda assim, apenas os técnicos séniores, como Hummel, atingem em média 67 mil dólares (62.300 euros) após cinco anos, sendo que só aqueles no auge da carreira chegam aos 120 mil dólares (111.600 euros) ou mais, segundo o The Wall Street Journal.
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