A Noruega está a construir um túnel rodoviário subaquático sem precedentes, o Rogfast, um megaprojeto que deverá mudar as viagens ao longo da costa oeste do país e que já é considerado uma das obras de engenharia mais ambiciosas da Europa.
O Rogfast, abreviatura de Rogaland Fixed Link, está a ser construído sob os fiordes da região de Rogaland. Segundo a página oficial da Administração Pública de Estradas da Noruega e a agência internacional de notícias Euronews, a ligação unirá Randaberg, junto a Stavanger, ao município de Bokn e terá um ramal para a ilha de Kvitsøy.
Com aproximadamente 26,7 quilómetros e uma profundidade máxima de 392 metros abaixo do nível do mar, o Rogfast tornar-se-á o túnel rodoviário subaquático mais longo e mais profundo do mundo. Também ultrapassará em extensão o túnel de Lærdal, atualmente o túnel rodoviário mais longo do mundo, embora este não seja subaquático. A abertura ao trânsito continua prevista para 2033.
O investimento deverá rondar os 25 mil milhões de coroas norueguesas, aproximadamente dois mil milhões de euros, segundo a Euronews. A página oficial apresenta um custo total de 20,6 mil milhões de coroas a preços de 2020, uma diferença relacionada com o ano de referência utilizado. A obra deverá ter impacto nos transportes, no turismo e nas atividades económicas da costa oeste.
Um megaprojeto que transforma a E39
O Rogfast faz parte do plano norueguês para reduzir a dependência dos ferries na estrada europeia E39, que atravessa a costa oeste e liga cidades como Kristiansand, Stavanger, Haugesund, Bergen e Trondheim. Atualmente, várias partes desta viagem continuam a exigir travessias marítimas.
Ao substituir o ferry entre Mortavika e Arsvågen, o novo túnel deverá reduzir em cerca de 40 minutos o tempo de viagem entre Stavanger e Bergen. A ligação também tornará as deslocações diárias e o transporte de mercadorias menos dependentes dos horários dos ferries e das condições meteorológicas.
Em conjunto com outras intervenções previstas na E39, o Rogfast deverá contribuir para reduzir o tempo total de viagem ao longo da costa. A administração rodoviária norueguesa estima ainda que, em 2053, o túnel possa receber cerca de 13 mil viagens por dia, segundo os dados citados pela mesma fonte.
Extensão recorde e profundidade extrema
O túnel principal será composto por dois tubos paralelos, cada um com duas faixas de rodagem. Os corredores estarão ligados por galerias transversais, que poderão ser utilizadas como rotas de evacuação em caso de acidente, incêndio ou outra emergência.
A profundidade máxima de 392 metros obriga à adoção de soluções específicas de ventilação, drenagem, impermeabilização e proteção contra incêndios. Estes sistemas terão de funcionar sob uma pressão muito elevada e foram projetados para assegurar a utilização prolongada da infraestrutura.
Para além dos tubos principais, o projeto inclui um ramal com cerca de 3,7 quilómetros para Kvitsøy. Esta ligação permitirá que o município mais pequeno da Noruega deixe de depender exclusivamente do ferry para chegar ao continente.
Kvitsøy e as rotundas a 260 metros de profundidade
Uma das particularidades do Rogfast encontra-se sob Kvitsøy, onde foi projetado um complexo nó rodoviário com duas rotundas escavadas no interior da rocha. A mesma fonte situa esta estrutura a cerca de 260 metros abaixo do nível do mar, enquanto os dados oficiais apontam para uma profundidade aproximada de 250 metros.
Esta solução permitirá encaminhar o trânsito entre os dois tubos principais e o ramal de acesso à ilha dentro de uma única secção subterrânea. A presença de duas rotundas no mesmo nó torna esta parte da obra pouco comum entre os grandes túneis rodoviários.
A configuração terá também uma função operacional. Se um acidente obrigar ao encerramento de parte de um dos tubos, o tráfego poderá ser desviado para o corredor paralelo, mantendo-se uma faixa em cada sentido através das rotundas e das rampas internas.
Segurança e tecnologia no interior do túnel
O projeto deste túnel subaquático reserva uma parte significativa dos recursos para a segurança rodoviária. Estão previstos dois tubos separados, passagens de evacuação regulares, sistemas de ventilação preparados para incêndios com veículos pesados e equipamentos de acompanhamento permanente do trânsito.
Os condutores serão orientados por sinalização dinâmica e, em caso de emergência, poderão utilizar as saídas assinaladas para chegar ao tubo paralelo. As câmaras instaladas no interior deverão ajudar a localizar os utilizadores e permitir uma intervenção mais rápida das equipas de socorro.
A dimensão da instalação elétrica acompanha a escala da obra. Segundo um comunicado da Administração Pública de Estradas da Noruega, o túnel receberá cerca de 1,35 milhões de metros de cabos e 760 telefones. Estão igualmente previstos 1.500 sinais de faixa, 480 postos SOS e cerca de 1.050 câmaras, com a instalação da maioria dos equipamentos programada entre 2028 e 2032.
Em que ponto vão as obras este ano
A construção começou em 2018, mas foi suspensa em 2019 depois de o aumento dos custos ter obrigado à revisão dos contratos e do financiamento. O projeto recebeu uma nova autorização política em 2020 e os trabalhos foram retomados em 2021, através de várias empreitadas executadas de forma faseada.
Em 2025 e durante os primeiros meses de 2026, as escavações continuaram a avançar a partir de Randaberg, Bokn e Kvitsøy. A atualização oficial da administração rodoviária norueguesa indica que o túnel de acesso desde Kvitsøy até aos tubos principais está terminado, enquanto as restantes frentes continuam a avançar em direção à zona central.
Mais de dez quilómetros do traçado já foram escavados e as duas rotundas sob Kvitsøy encontram-se construídas. Em fevereiro deste ano ficou concluído o primeiro poço vertical de ventilação, com 211 metros, tendo o segundo alcançado o túnel neste mês de agosto. Se o calendário se mantiver, o Rogfast deverá abrir ao trânsito em 2033.















