A tempestade Kristin deixou um rasto de destruição no distrito de Leiria e obrigou centenas de particulares e empresas a correr para encontrar telhas que pudessem reparar os telhados danificados. Segundo o Notícias ao Minuto, a fábrica CS Coelho da Silva, no Juncal, concelho de Porto de Mós, viu a procura disparar e, nos últimos dias, vendeu várias centenas de milhares de unidades.
De acordo com o gestor de operações da empresa, Paulo Sequeira, a dificuldade está em que nem todas as telhas são iguais e algumas já não se fabricam, obrigando a adaptações complexas nos telhados mais antigos.
Telhados antigos complicam reparações
À entrada da fábrica, Augusto Neto, de 72 anos, e o cunhado deslocaram-se da localidade de Pernelhas, no concelho de Leiria, após a chaminé da casa ter desabado. Segundo Paulo Sequeira, terão de recorrer a ajustes, porque as telhas disponíveis não correspondem exatamente às antigas.
O funcionário da fábrica alertou ainda para os riscos de subir a telhados danificados, lembrando que várias pessoas ficaram feridas ou morreram durante reparações nas últimas semanas.
Miguel Korrodi, empresário leiriense de 64 anos, teve uma experiência semelhante na empresa Plásticos Santo António, que ficou com cerca de oito mil metros quadrados de cobertura parcialmente ou totalmente destruída. Para além disso, 85 por cento do espaço perdeu telhas e, em alguns casos, qualquer cobertura.
A sua esperança está numa nova fábrica em construção, que deverá estar pronta dentro de seis meses, permitindo transferir a operação e recuperar a produção.
Vendas recorde e medidas excecionais
Na CS Coelho da Silva, a produção só foi retomada na segunda-feira, limitada pelas falhas de energia que persistiam de manhã.
O dia seguinte à tempestade foi dedicado a reparar danos na própria fábrica, que abriu todos os dias subsequentes, exceto no fim de semana, para que os 230 trabalhadores pudessem cuidar das suas casas. Habitualmente, os particulares compram telhas apenas nos revendedores, mas nos últimos dias foi possível adquiri-las diretamente na fábrica.
Só na segunda-feira, foram atendidos 474 particulares e 96 revendedores, estimando-se que várias centenas de milhares de telhas tenham sido vendidas desde a passagem de Kristin, segundo Paulo Sequeira.
Estragos e situação de calamidade
A tempestade provocou dez mortes desde a semana passada. A Proteção Civil contabilizou cinco óbitos diretamente associados ao mau tempo, enquanto a Câmara da Marinha Grande anunciou mais uma vítima. Registaram-se ainda quatro mortes por quedas de telhados ou intoxicações relacionadas com geradores.
Entre os estragos, destacam-se a destruição parcial ou total de edifícios, quedas de árvores e estruturas, cortes em estradas e interrupções de serviços essenciais como energia, água e comunicações. Os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém foram os mais afetados.
De acordo com o Notícias ao Minuto, o Governo decretou situação de calamidade para 69 concelhos até domingo e anunciou um pacote de apoio de até 2,5 mil milhões de euros.
















