A pianista Maria João Pires anunciou este domingo, 6 de setembro, o lançamento da MJP Piano Academy, uma academia online dedicada ao ensino de piano, com abertura de inscrições para masterclasses no Centro de Artes de Belgais prevista para breve.
Num comunicado assinado por “Maria João Pires e equipa”, o projeto apresenta a sua primeira edição e disponibiliza reservas para “Explicações Online”. Está também previsto um novo formato de aulas, os “Workshops Online”, que decorrerão semanalmente em grupos de três a quatro alunos inscritos na academia.
Workshops terão participação de ouvintes
Os workshops estarão igualmente disponíveis para espetadores e ouvintes através de um plano de subscrição. Esta modalidade permitirá a outros estudantes, professores e interessados em música assistir aos eventos mensais e participar numa sessão mensal de perguntas e respostas online com Maria João Pires.
A pianista descreve o ensino como algo que ultrapassa a transmissão de conhecimentos: “É uma forma de diálogo através da música, um ‘dar e receber’, uma troca de impressões, uma aprendizagem partilhada na arte de ouvir, uma busca pelo equilíbrio.”
“Descobrir em conjunto requer um acordo mútuo na experiência. Em última análise, é um trabalho interior que nos trará certamente uma consciência mais clara”, acrescenta, citada no comunicado.
Equipa prepara reabertura do projeto de Belgais
Em paralelo com a academia, a equipa trabalha num plano de reabertura do projeto do Centro de Artes de Belgais, no distrito de Castelo Branco, para oferecer “uma maior variedade de eventos e experiências presenciais”.
As atividades deverão ser partilhadas através de uma Plataforma Online de Belgais, destinada a pessoas de todo o mundo. Depois de lançada, esta plataforma poderá também acolher a MJP Piano Academy.
O centro foi fundado por Maria João Pires em Escalos de Baixo, no concelho de Castelo Branco.
Afastamento dos palcos não exclui novas gravações
O anúncio surge depois de a pianista, de 82 anos, ter comunicado o afastamento dos palcos em novembro de 2025. Meses antes, um problema de saúde tinha interrompido a digressão que realizava entre salas de concerto europeias e asiáticas.
A decisão foi anunciada na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, durante a entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural. Na ocasião, a artista afirmou ter adoecido por tentar “ultrapassar-se e ir até limites proibidos”.
“Agora encontro-me num processo de mudança radical, numa procura de verdade, verdades, num caminho de aceitação, talvez de compreensão daquilo que nunca aceitei antes. É bom pensar que o futuro é incerto, desconhecido, talvez surpreendente”, declarou então.
Em julho, ao receber o doutoramento Honoris Causa da Universidade de Évora, Maria João Pires afastou a hipótese de regressar aos palcos para um último concerto, mas admitiu voltar aos estúdios para “fazer algumas gravações”.
Carreira internacional começou ainda na infância
Nascida em Lisboa, a 23 de julho de 1944, Maria João Pires apresentou-se pela primeira vez em público aos quatro anos.
A conquista do primeiro prémio do concurso internacional Beethoven, em 1970, abriu caminho à presença regular nas principais salas de concerto do mundo e nos catálogos de grandes editoras de música clássica.
Para a Denon, gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart, em 1974. Na década de 1980, pela Erato, registou obras de Bach e Mozart, bem como as “Cenas Infantis”, de Schumann. Em 1989, passou a gravar para a Deutsche Grammophon.
Entre as distinções recebidas ao longo da carreira contam-se o prémio do Conselho Internacional da Música da UNESCO, em 1970, o Prémio Pessoa, em 1989, e a Medalha de Mérito Cultural do Governo português.
Recebeu ainda o Prémio Personalidade do Ano/Martha de la Cal da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal, em 2019, e o Praemium Imperiale, atribuído pela Associação de Arte do Japão, em 2024.
A sua discografia valeu-lhe nomeações regulares para os Grammy e um prémio Gramophone. Entre as interpretações que se destacam estão as Sonatas e os “Impromptus”, de Schubert, os “Nocturnos”, de Chopin, e os Concertos de Mozart e Beethoven.
A.Pinto / HDF
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