A gestão do trânsito urbano e metropolitano nesta cidade portuguesa volta a estar no centro da discussão política, numa altura em que se procuram soluções para reduzir congestionamentos persistentes e melhorar a fluidez nas principais vias de acesso às cidades. Entre incentivos, restrições e mudanças na circulação, as propostas em cima da mesa apontam para uma combinação de medidas e não para uma solução única.
O presidente da Câmara Municipal do Porto e da Área Metropolitana do Porto defende que a isenção de portagens para veículos pesados na CREP/A41 só será eficaz se for acompanhada por restrições à circulação desses mesmos veículos na Via de Cintura Interna (VCI), nos períodos em que vigora a isenção.
“A solução que nós temos a propor ao Governo é que haja uma proibição de veículos pesados que atravessem a VCI dentro daqueles horários em que há abolição de portagens na CREP”, afirmou Pedro Duarte, durante uma reunião da Assembleia Municipal do Porto realizada na noite anterior, de acordo com o portal especializado em transportes Transportes & Negócios.
Medidas isoladas não chegam
Respondendo a questões colocadas pelos deputados municipais, o autarca desta cidade portuguesa insistiu que a simples isenção de portagens em determinados horários não resolve, por si só, o problema do tráfego intenso na VCI. Na sua perspetiva, são necessárias medidas complementares para garantir que os veículos pesados optam efetivamente por vias alternativas.
Pedro Duarte sublinhou que, sem restrições adicionais, muitos destes veículos continuarão a atravessar a VCI, anulando parte do efeito pretendido com a gratuitidade temporária na CREP.
Duas hipóteses em análise
A possibilidade de limitar ou condicionar a circulação de pesados na VCI não é nova, refere a mesma fonte. A 10 de dezembro, à margem de uma reunião do Executivo municipal, o presidente da Câmara da cidade portuguesa revelou que um grupo de trabalho do Conselho Metropolitano do Porto estava a estudar soluções concretas para complementar a medida anunciada pelo Governo.
“Essencialmente há duas possibilidades em cima da mesa: uma é a colocação de pórticos, e outra é a proibição da passagem de pesados. É uma questão técnica e estamos a ver o que é que tem mais eficácia e o que é que tem menos custos. Vai ser entre estas duas hipóteses”, explicou.
Isenção de portagens para aliviar a VCI
No final de novembro, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, anunciou que, a partir de 1 de março, os veículos pesados deixariam de pagar portagens na CREP/A41 em dois períodos horários, entre as 7 e as 10 horas e entre as 16 e as 19 horas, de acordo com a fonte acima citada.
O objetivo declarado foi aliviar o trânsito na VCI, considerada pelo governante como “o maior problema de tráfego” do país, sublinhando que não existe “algo sequer comparável com mais nenhuma via na Área Metropolitana de Lisboa ou noutra zona do país”.
Decisão do Parlamento alarga a isenção
Dois dias após esse anúncio, o Assembleia da República aprovou uma proposta do PS de alteração ao Orçamento do Estado para 2026 que vai mais longe, prevendo a isenção de portagens para veículos pesados na CREP durante todo o dia, de acordo com a mesma fonte.
Esta decisão veio reforçar o debate sobre a necessidade de medidas adicionais na VCI, uma vez que a gratuitidade permanente pode não ser suficiente para desviar o tráfego pesado do interior da cidade.
Restrições como complemento
Para o presidente da Câmara do Porto, a solução passa por combinar incentivos e restrições, garantindo que as opções mais vantajosas em termos de circulação coincidem com as vias mais adequadas para o trânsito pesado.
A proposta de proibição de circulação de pesados na VCI, nos horários em que a CREP é gratuita, surge assim como uma das hipóteses mais fortes para tentar reduzir congestionamentos, melhorar a segurança rodoviária e tornar mais eficaz a estratégia definida para a mobilidade na Área Metropolitana do Porto, de acordo com o Transportes & Negócios.
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