Quando se fala em segurança rodoviária, a maioria das pessoas pensa logo nos travões, no cinto de segurança ou no estado do motor. Mas há um pormenor discreto, presente em todos os pneus, que pode determinar se um carro trava a tempo ou acaba por se envolver num acidente: o indicador de desgaste da banda de rodagem.
Este pequeno ressalto de borracha, conhecido pela sigla inglesa TWI (Tread Wear Indicator), está colocado entre os sulcos do pneu. Tal como referido pelo site especializado em lifestyle, Leak, de acordo com a legislação europeia, este pormenor corresponde ao limite mínimo legal de profundidade: 1,6 mm. Quando a superfície do pneu atinge esse nível, significa que a aderência já não é suficiente e que o pneu deve ser substituído sem demora.
A importância dos sulcos
A banda de rodagem não existe apenas por razões estéticas. É ela que garante a drenagem da água em pisos molhados, ajuda a evitar o aquaplaning, melhora a aderência em curva e assegura a estabilidade em travagens. Pneus demasiado gastos perdem eficácia nestes pontos essenciais, aumentando o risco de derrapagens e de perda de controlo do veículo.
Estudos de segurança rodoviária indicam que um pneu com menos de 1,6 mm de sulco pode aumentar a distância de travagem até 50% em piso molhado. Em termos práticos, um carro que circule a 80 km/h pode precisar de mais dez metros para parar, ou seja, o suficiente para transformar uma situação de risco num acidente grave.
Como verificar o desgaste
Nos flancos dos pneus existem pequenas marcas com a inscrição “TWI” ou triângulos que assinalam onde se encontra o ressalto. Se a borracha da superfície já estiver nivelada com esse ponto, significa que o pneu atingiu o limite.
Há também o chamado “teste da moeda”. Ao introduzir uma moeda de 1 euro no sulco, se a borda dourada ficar visível isso indica que a profundidade está abaixo dos 3 mm, sinal de que a substituição se aproxima.
Quando trocar
Apesar de a lei fixar os 1,6 mm como mínimo obrigatório, o mesmo site afirma que muitos especialistas recomendam a substituição mais cedo.
Para pneus de verão, o aconselhado é não deixar descer abaixo dos 3 mm, enquanto nos de inverno a troca deve ocorrer quando atingem os 4 mm. Além disso, mesmo que os pneus aparentem estar em bom estado, a borracha perde elasticidade com o tempo e deve ser renovada de seis em seis anos.
Multas e implicações legais
Ignorar o desgaste pode sair caro. O Código da Estrada, no artigo 114.º, obriga a que os veículos circulem em condições de segurança, o que inclui o estado dos pneus. Para que tal aconteça é obrigatório garantir que a profundidade mínima da banda de rodagem é de 1,6 mm, e o incumprimento pode resultar em coimas entre 250 e 1 250 euros.
Em determinadas situações aplica-se ainda o artigo 145.º, n.º 1, alínea m), que classifica esta infração como grave, prevendo coimas entre 120 e 600 euros e a perda de dois pontos na carta de condução.
Seguro em risco
De acordo com o Leak, para além das multas, há outra consequência a ter em conta: se ocorrer um acidente e for provado que os pneus estavam abaixo do limite legal, a seguradora pode recusar-se a assumir a responsabilidade pelos danos.
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