Cerca de 87 mil veículos em Portugal têm ações de recolha pendentes por parte das marcas e muitos proprietários poderão nem saber que conduzem um automóvel com defeitos por corrigir. Em alguns casos, ignorar um recall pode ter consequências na inspeção periódica obrigatória.
Os dados foram avançados pelo Jornal de Negócios e, segundo o Notícias ao Minuto, confirmados junto da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).
A ACAP admite que existe um número significativo de viaturas com intervenções de segurança ou de emissões por realizar, acumuladas ao longo de vários anos.
Em causa estão campanhas de recolha promovidas pelos fabricantes para corrigir falhas identificadas após a colocação dos veículos no mercado. A reparação é gratuita, mas depende da comparência do proprietário num concessionário autorizado.
Porque há tantos carros por regularizar
De acordo com a Associação Automóvel de Portugal, as marcas notificam os proprietários por carta registada. Ainda assim, a taxa de sucesso no contacto é considerada reduzida.
Segundo a mesma fonte, uma das principais dificuldades prende-se com a impossibilidade de localizar o atual dono do veículo, sobretudo quando houve mudança de titular sem atualização de morada.
Há também situações em que os proprietários desvalorizam a comunicação recebida ou assumem, erradamente, que se trata de uma ação comercial e não de uma intervenção relacionada com segurança.
Para facilitar o acesso à informação, a ACAP, em articulação com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes e com a Direção-Geral do Consumidor, disponibilizou uma plataforma pública onde é possível verificar se uma viatura está abrangida por uma ação de recolha. Basta introduzir a matrícula ou o número de chassis.
Pode reprovar na inspeção
Ignorar um recall não é apenas uma questão administrativa. Segundo esclareceu a associação ao Notícias ao Minuto, se a anomalia identificada estiver relacionada com segurança ou emissões, a falta de resolução pode traduzir-se numa reprovação na inspeção periódica obrigatória.
O enquadramento consta de uma deliberação do IMT de julho de 2020. Uma deficiência classificada como tipo 2, considerada grave, implica reinspeção no prazo de 30 dias e limita a utilização do veículo, que não pode transportar passageiros nem carga.
Nos casos mais severos, classificados como tipo 3, apenas é permitida a deslocação até ao local de reparação e posterior regresso ao centro de inspeção.
Como saber se o seu está abrangido
A consulta é simples e pode ser feita online, por iniciativa do próprio. Segundo a ACAP, o objetivo da plataforma é aumentar a taxa de resolução e melhorar os níveis de segurança rodoviária.
Num universo de dezenas de milhares de veículos ainda com ações pendentes, confirmar a situação pode evitar surpresas na inspeção e, sobretudo, garantir que o automóvel cumpre as condições técnicas exigidas.
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