Há condutas ao volante que, até há pouco tempo, passavam despercebidas às autoridades. Mas a partir de 2025, quem as praticar arrisca multas que podem ultrapassar os 10.000€. Tudo por causa de uma nova regra aplicada no país onde vivem milhares de portugueses, que pune comportamentos considerados desnecessariamente ruidosos, como acelerações bruscas ou alterações ao escape.
A legislação, Lei Suíça sobre o Trânsito Rodoviário (LCR), incide sobre comportamentos considerados indesejáveis, tais como acelerações bruscas, escapes modificados com efeito sonoro do tipo pop and bang, ou manter o motor ligado sem motivo técnico justificável. Segundo o jornal suiço generalista, Le Temps, o critério de avaliação não exige queixas nem depende da hora ou da localidade. Basta que o ruído seja evitável para ser sancionado.
Radares sonoros e tolerância zero
Para fiscalizar estas novas regras, várias autoridades cantonais começaram a usar radares sonoros. Em cidades como Genebra e Basileia, os testes indicaram que cerca de 1 % dos veículos excedia o limite de 82 decibéis permitidos.
De acordo com o mesmo jornal, as motas surgem como os principais infratores, muitas delas com escapes modificados ilegalmente. No cantão de Vaud, uma das 26 unidades federativas da Suíça, durante 2024, foram fiscalizados 800 veículos, dos quais 290 acabaram denunciados por ruído excessivo ou alterações não conforme à homologação legal.
A infração por manter o motor ligado sem propósito também foi revista para valores mais elevados. Passou de 60 CHF para 80 CHF, o equivalente a cerca de 85€, ou seja 20€ de aumento.
Portugueses entre os mais afetados
Uma comunidade portuguesa numerosa vive e trabalha na Suíça, especialmente nos setores da construção civil, hotelaria ou entregas em motas. Para muitos, o veículo é uma ferramenta diária essencial.
Segundo a polícia rodoviária, os condutores estrangeiros estão sujeitos às mesmas regras. Quem for autuado pode ser obrigado a pagar no momento ou até ver o veículo retido até ao pagamento integral da coima.
O ruído como problema social e ambiental
O aumento da atenção ao ruído rodoviário surge no quadro de um esforço mais amplo da Suíça para melhorar a qualidade ambiental e a saúde pública. O barulho excessivo está associado a distúrbios do sono, stress e outros problemas de saúde.
Estudos recentes indicam que o ruído das vias rápidas e dos centros urbanos contribui significativamente para a redução do bem-estar da população, sobretudo nas áreas metropolitanas. Por isso, as autoridades têm vindo a adotar políticas que visam a redução progressiva do ruído através de legislação e controlo mais apertado.
O futuro do trânsito na Suíça passa pelo silêncio
Com as multas a atingirem valores que podem ultrapassar os dez mil euros, a mensagem das autoridades suíças é clara. O silêncio nas ruas é uma prioridade e será cada vez mais monitorizado. As multas pesadas pretendem dissuadir práticas que não apenas incomodam os moradores, mas que também afetam a segurança rodoviária.
De acordo com o Le Temps, além dos radares sonoros, algumas cidades estudam ainda a instalação de zonas de silêncio, onde os níveis de ruído deverão ser ainda mais baixos do que o permitido atualmente. O foco no controlo do barulho implica que os condutores tenham de rever hábitos, seja no tipo de escapes, seja no estilo de condução.
Por isso, quem vive, trabalha ou passa pela Suíça deve estar atento às regras para evitar surpresas desagradáveis. O silêncio deixou de ser apenas uma questão de civismo e passou a ser uma obrigação legal que pode custar muito caro.
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