A ideia de um carro que funcione apenas com água desperta curiosidade e fascínio. Nos vídeos da internet, e até em programas antigos de televisão, aparecem inventores que afirmam ter criado motores que utilizam água como fonte de energia.
De acordo com a Razão Automóvel, site especializado em ciência e tecnologia automóvel, nenhum destes sistemas passou de experiências ou alegações sem fundamento.
O mito de Stanley Meyer
Desde os anos 70 que surgem alegações de sistemas que separariam a água em hidrogénio e oxigénio por eletrólise, usando o hidrogénio como combustível.
O obstáculo fundamental é que a eletrólise consome sempre mais energia do que a que se libertaria ao queimar o hidrogénio, uma limitação física imposta pela Primeira Lei da Termodinâmica.
Um exemplo famoso é Stanley Meyer, que dizia que o seu carro podia percorrer 4488 quilómetros com apenas 83 litros de água, utilizando qualquer tipo de água, da chuva ao oceano. Em 1996, um tribunal de Ohio considerou as suas alegações fraudulentas.
Hidrogénio sim, água não
A confusão surge porque existem veículos movidos a hidrogénio, mas o combustível não provém diretamente da água do depósito do carro.
O hidrogénio é obtido industrialmente e armazenado em depósitos. Nos veículos Fuel Cell, a reação do hidrogénio com o oxigénio do ar gera eletricidade para motores elétricos, produzindo apenas vapor de água como subproduto, sem emissões diretas de CO₂. Também existem motores de combustão interna a hidrogénio, que funcionam de forma semelhante aos motores a gasolina.
O hidrogénio é comprimido e queimado, gerando energia mecânica, mas produz óxidos de azoto devido às altas temperaturas. Em nenhum caso a água funciona como combustível; surge apenas como produto final da reação química.
A promessa que nunca se concretizou
Apesar da curiosidade que provoca, a ideia de motores a água esbarra nas leis da física e na falta de provas científicas sólidas.
Segundo a Razão Automóvel, qualquer alegação de energia gratuita a partir da água continua a ser encarada como mito ou ficção científica, e não como uma solução real para a crise energética.
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