Ficar encandeado enquanto conduz pode ser mais perigoso do que parece. Durante o dia, o sol baixo no horizonte pode reduzir drasticamente a visibilidade. À noite, o brilho intenso dos faróis de outros veículos torna difícil ver o que está à frente. Nestes momentos críticos, muitos condutores reagem de forma instintiva e, muitas vezes, errada.
De acordo com o Automóvel Club de Portugal (ACP), há erros comuns que podem agravar ainda mais a situação. Um dos mais frequentes é retribuir o encandeamento com luzes máximas. Embora pareça uma reação legítima, trata-se de uma infração grave, prevista no artigo 82.º do Código da Estrada, punida com coima entre 120 e 600 euros e retirada de dois pontos na carta de condução. Além disso, segundo a mesma norma, o veículo pode ser imobilizado até os faróis estarem devidamente regulados.
O que fazer quando a luz o impede de ver
O conselho mais simples (e eficaz) quando fica encandeado enquanto conduz é desviar o olhar. Em vez de enfrentar diretamente a luz, deve focar a atenção na margem direita da faixa de rodagem. Esta estratégia permite manter a orientação sem forçar os olhos a adaptar-se a uma luz que os impede de ver claramente.
Segundo o ACP, é essencial manter o para-brisas limpo. Resíduos, pó e marcas de gordura podem intensificar o reflexo da luz e dificultar ainda mais a visão. Limpar o vidro regularmente, tanto por dentro como por fora, e garantir que as escovas estão em bom estado é uma forma eficaz de mitigar o risco. Um para-brisas sujo ou fissurado que agrave o encandeamento configura infração leve, conforme o artigo 114.º, e pode resultar numa coima entre 60 e 300 euros. Em caso de risco para a segurança, o carro pode mesmo ser apreendido até à reparação.
Os óculos de sol também entram na equação. Especialistas recomendam o uso de modelos polarizados, sobretudo em dias de sol intenso ou quando se conduz em estradas molhadas. Estes óculos ajudam a filtrar os reflexos e a melhorar a visibilidade sem comprometer a percepção dos contrastes.
Pequenas falhas, grandes consequências
Por vezes, uma fissura quase invisível no para-brisas pode ser suficiente para provocar distorções da luz. A recomendação do ACP é clara: qualquer dano deve ser reparado com urgência. A transparência do vidro é crucial para garantir uma condução segura.
Além da manutenção do carro, o comportamento do condutor deve ser ajustado às circunstâncias. Quando encandeado, o tempo de recuperação visual pode variar entre três a sete segundos. Nesses momentos, reduzir a velocidade e aumentar a distância de segurança são decisões fundamentais. Não o fazer, especialmente se houver risco concreto, pode configurar infração grave ao dever geral de prudência (artigo 24.º do Código da Estrada) e implicar coima entre 120 e 600 euros e a perda de dois pontos. Em caso de acidente, o condutor pode até responder criminalmente por negligência, segundo o artigo 291.º do Código Penal.
Durante a noite, os espelhos retrovisores tornam-se pontos de risco. Os faróis de outros carros podem refletir diretamente nos olhos do condutor, sobretudo através do espelho central. Ajustar ligeiramente os espelhos pode reduzir este efeito. Mais tarde, basta voltar à posição habitual.
Parar também é opção, e às vezes a melhor
Quando nenhuma das estratégias resulta e continua encandeado enquanto conduz, parar é a medida mais sensata. Deve fazê-lo apenas em locais seguros e sinalizados. Parar em zonas perigosas, como bermas estreitas ou faixas de rodagem, sem sinalizar devidamente, é também considerado infração grave (artigo 49.º) e sujeita o condutor a uma coima entre 120 e 600 euros e perda de dois pontos. Se não for colocado o triângulo ou usado o colete refletor, pode ainda somar outra penalização.
O ACP sublinha ainda a importância de verificar o alinhamento dos faróis. Faróis mal regulados não só prejudicam o campo de visão do próprio condutor, como encandeiam os restantes utilizadores da estrada. Circular com os faróis demasiado altos ou desalinhados constitui infração leve (artigo 56.º) e pode originar uma notificação para inspeção extraordinária.
Evite as horas críticas sempre que possível
Os períodos de maior risco de encandeamento são o início e o fim do dia. Nestes momentos, a luz solar incide em ângulos baixos, atingindo diretamente os olhos de quem conduz. A recomendação passa por evitar circular nestas horas ou, sempre que possível, escolher percursos onde o sol não bata de frente.
Para reduzir o risco de penalizações e, acima de tudo, evitar acidentes, o ACP sugere um conjunto de boas práticas: baixar de imediato os máximos ao cruzar-se com outros veículos; manter os vidros limpos e escovas em bom estado; alinhar os faróis regularmente; e parar apenas em locais seguros e bem sinalizados. Cumprindo estas medidas simples quando fica encandeado enquanto conduz, o condutor evita multas, protege pontos na carta e, sobretudo, preserva a segurança de todos na estrada.
Leia também: Transporta isto no carro? Prepare-se para multas até 2.500€ e outras consequências graves
















