Com o avançar da idade, a forma como reagimos aos estímulos e interpretamos o que se passa à nossa volta muda inevitavelmente, o que pode ter impacto direto na segurança rodoviária. Entre os condutores que se aproximam da idade da reforma, estas alterações merecem atenção redobrada, já que conduzir exige concentração, rapidez de reflexos e uma boa perceção visual e auditiva.
É neste contexto que a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) tem vindo a alertar para a importância da prevenção e da adoção de comportamentos responsáveis ao volante. No plano legal, a manutenção da aptidão para conduzir e a revalidação do título obedecem ao Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 138/2012, que exige avaliação médica e, a partir dos 70 anos, relatório do médico assistente quando aplicável.
O envelhecimento traz consigo transformações naturais que influenciam a condução. A diminuição da acuidade visual, as dificuldades auditivas e o abrandamento dos reflexos tornam mais difícil reagir a tempo perante imprevistos.
Além deste problemas, as doenças crónicas, como a diabetes, a artrite ou os problemas cardíacos, também podem interferir na capacidade de manter o controlo do veículo, exigindo maior atenção e vigilância por parte dos condutores. A prova de aptidão física e mental é parte do regime legal referido e serve precisamente para aferir estes fatores clínicos relevantes para a segurança rodoviária.
Medicação é fator importante
Outro fator muitas vezes esquecido está relacionado com a medicação. Certos fármacos prescritos para tratar insónias, alergias, epilepsia ou hipertensão podem provocar sonolência, tonturas ou confusão, afetando o discernimento e os reflexos.
Por essa razão, os especialistas, citados pela mesma fonte, recomendam que se questione sempre o médico ou o farmacêutico sobre os possíveis efeitos dos medicamentos antes de conduzir. Mesmo doses habituais podem alterar o comportamento ao volante, sobretudo quando combinadas com o cansaço ou com bebidas alcoólicas.
Nesta matéria, o INFARMED alerta que vários medicamentos podem comprometer capacidades essenciais à condução, devendo o doente informar-se sobre riscos e interações.
Importância de reconhecer os sinais de alerta
Reconhecer os sinais de alerta é essencial para evitar riscos desnecessários. Dificuldades em ver bem à noite, reações mais lentas, lapsos de memória ou episódios de desorientação podem ser indícios de que algo não está bem.
Também o aumento da fadiga, o tremor das mãos, a irritabilidade ou a falta de noção do perigo são sintomas que não devem ser ignorados. Nestes casos, é aconselhável suspender temporariamente a condução e procurar avaliação médica, já que o diagnóstico precoce pode evitar acidentes e preservar a segurança de todos.
Recorde-se que a lei impõe a revalidação com atestado médico a partir dos 60 anos e avaliação psicológica a partir dos 70 anos, conforme orientações oficiais.
Alimentação e álcool podem afetar a condução
A alimentação é outro aspeto a não descurar. Refeições demasiado pesadas tendem a provocar sonolência e lentidão de raciocínio, o que pode comprometer a atenção na estrada.
Do mesmo modo, o consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades, intensifica os efeitos de certos medicamentos e reduz a capacidade de julgamento, tornando a condução perigosa, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Comer de forma equilibrada e manter-se hidratado são cuidados simples que fazem diferença. Acresce que o Código da Estrada tipifica a condução sob influência de álcool, considerando infrator o condutor com TAS igual ou superior a 0,5 g/l, com limites reduzidos para alguns grupos, como condutores em regime probatório.
Importância de manter boas práticas
Manter boas práticas ao volante é, por isso, essencial para continuar a conduzir com segurança ao longo dos anos. A mesma fonte recomenda que se conduza apenas quando se está em boas condições físicas e mentais, evitando trajetos noturnos ou longas viagens sem pausas.
O cumprimento das regras de trânsito e o respeito pelos limites de velocidade são atitudes que não só protegem o condutor, como também os restantes utentes da via. As revisões médicas e oftalmológicas regulares devem fazer parte da rotina, uma vez que permitem detetar a tempo alterações que possam comprometer a segurança.
Em termos administrativos, as idades e exigências para revalidar a carta estão publicadas nos portais oficiais do Governo e Justiça, incluindo a necessidade de atestado médico a partir dos 60 anos e, dos 70 em diante, certificado de aptidão psicológica.
Segurança enquanto peão
Mas a segurança rodoviária não termina quando se deixa o volante, refere ainda a ANSR. Também enquanto peão é importante adotar comportamentos responsáveis. Caminhar em locais bem iluminados, usar roupa visível e estar atento ao movimento dos veículos são cuidados que reduzem o risco de atropelamentos.
Preservar a autonomia e a mobilidade depende, em grande parte, de reconhecer os próprios limites e adaptar-se às circunstâncias com bom senso e prudência. Assim, é possível continuar a desfrutar da condução e da liberdade que ela proporciona, sem pôr em causa a segurança na estrada. Para peões, o Código da Estrada estabelece regras específicas de circulação e atravessamento, nomeadamente as previstas no artigo 101.º relativas à travessia da faixa de rodagem.
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