Os números da sinistralidade e das infrações rodoviárias em Portugal continuam a preocupar. No primeiro trimestre de 2025, o uso do telemóvel ao volante, a falta de seguro e a ausência de inspeção periódica obrigatória destacaram-se como os comportamentos que mais cresceram nas estradas portuguesas, segundo dados oficiais da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). Destas três, esta infração ao volante foi a que mais cresceu.
Infrações sobem mais de 15%
Entre janeiro e março de 2025, foram registadas 327,3 mil infrações, um aumento de 15,6% face ao mesmo período do ano anterior. No total, 75,7 milhões de veículos foram fiscalizados em todo o país, num esforço que envolveu a ANSR, a GNR, a PSP e a Polícia Municipal de Lisboa.
A ANSR foi responsável pelo maior número de autos (125 281), seguida pela GNR (64 599), pela PSP (70 283) e pela Polícia Municipal de Lisboa (67 110). O sistema SINCRO, composto pelos radares fixos da ANSR, assegurou 92% da fiscalização automática e aumentou em 26,7% o número de veículos controlados.
Telemóvel ao volante dispara mais de 100%
A infração ao volante que mais cresceu foi o uso indevido do telemóvel durante a condução, que registou um aumento impressionante de 114,2% em relação a 2024. Apesar das campanhas de sensibilização e das penalizações cada vez mais severas, continua a ser uma das atitudes mais perigosas ao volante.
Outras infrações também dispararam. A ausência de seguro automóvel subiu 85,6%, a falta de inspeção periódica obrigatória aumentou 79,7% e a ausência de sistemas de retenção para crianças cresceu 54%. O não uso do cinto de segurança também registou uma subida considerável, de 49%.
Excesso de velocidade: o mais comum, mas estável
Apesar de continuar a ser a infração mais frequente, com 191.124 casos, o excesso de velocidade manteve-se praticamente inalterado em relação a 2024, registando apenas uma variação de 0,1%. Ainda assim, representa 58,4% do total de infrações detetadas no país, mostrando que continua a ser o principal fator de risco nas estradas portuguesas.
Detenções quase duplicam
O relatório da ANSR revela ainda um aumento expressivo no número de detenções. No primeiro trimestre de 2025, 10,8 mil condutores foram detidos, o que representa um crescimento de 95,2% face ao mesmo período do ano anterior, praticamente o dobro.
Destas detenções, 44,5% deveram-se à condução sob o efeito do álcool e 27,6% à condução sem carta. No sistema de carta por pontos, 782,5 mil condutores tinham pontos subtraídos em março de 2025.
Desde a implementação do sistema, em junho de 2016, já foram cassadas 3 568 cartas de condução, um número que reflete a persistência de comportamentos de risco nas estradas nacionais, de acordo com a mesma fonte.
Falta de civismo e distração continuam a ser o problema
As principais causas destas infrações continuam a ser a distração ao volante, a falta de manutenção dos veículos e o desrespeito pelas regras básicas de segurança, sublinha a ANSR. Apesar do reforço da fiscalização e das campanhas de sensibilização, a tendência de subida mostra que a mudança de comportamento dos condutores ainda é um desafio.
A ANSR apela a todos os automobilistas para que respeitem as regras de trânsito, evitem o uso do telemóvel e garantam que a documentação e a inspeção do veículo estão em dia. Pequenos gestos de atenção e responsabilidade continuam a ser a melhor forma de prevenir acidentes e salvar vidas nas estradas portuguesas.
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