A Câmara Municipal de Portimão vai lançar uma campanha de sensibilização para travar os sucessivos atos de vandalismo que têm atingido as cantarias manuelinas da antiga Quinta dos Morais, um conjunto arquitetónico com cerca de cinco séculos de história, preservado no Jardim Gonçalo Ribeiro Telles, junto ao Mercado Municipal. As inscrições, pinturas e outros danos registados nos últimos meses têm obrigado a repetidas intervenções de conservação e restauro.
As peças, datadas do século XVI, encontram-se expostas ao ar livre, na sua localização original, e podem ser visitadas gratuitamente pela comunidade desde a inauguração do jardim.

Aquando da criação deste espaço verde, a autarquia decidiu preservar as cantarias numa estrutura própria, procurando assegurar a proteção e a valorização de um testemunho da história e da arquitetura de Portimão.
Contudo, a exposição pública deste património tem sido acompanhada por sucessivas ocorrências de vandalismo, incluindo inscrições, riscos, pinturas e deposição de resíduos nas superfícies pétreas e na estrutura metálica que as envolve.
Restauros sucessivos não impedem novos danos
Os trabalhos de recuperação têm sido assegurados pela equipa de conservação e restauro do Museu de Portimão, nomeadamente por Andreia Romão, sempre que são identificados novos danos.
As intervenções começam com a avaliação do estado de conservação das peças e a realização de testes prévios, seguindo-se a remoção controlada de grafitos e inscrições, a limpeza das superfícies e a aplicação de produtos de proteção antigrafíti.
Segundo a Câmara Municipal, são utilizados materiais e técnicas adequados às características do conjunto, de forma a evitar danos durante os trabalhos.

Apesar de as intervenções terem permitido recuperar as condições iniciais das cantarias e da estrutura envolvente, a autarquia revela que têm sido registadas novas ocorrências pouco tempo depois das operações de restauro, obrigando à repetição dos procedimentos.
Esta situação representa, segundo o município, um esforço adicional para os profissionais do Museu de Portimão e implica encargos financeiros que poderiam ser destinados a outras intervenções de conservação e valorização do património municipal.
Campanha pretende sensibilizar população para a proteção do património
Perante a persistência dos danos, a Câmara de Portimão decidiu promover uma campanha de sensibilização, que será divulgada através de diferentes suportes de comunicação.
A iniciativa pretende alertar para a importância histórica das cantarias manuelinas e incentivar a população a contribuir para a sua preservação, dando especial atenção às gerações mais jovens.
O município considera que a salvaguarda deste património não depende apenas das operações de manutenção e restauro, mas também do reconhecimento do seu valor por parte da comunidade.

As cantarias da antiga Quinta dos Morais constituem testemunhos da arquitetura do século XVI e da evolução histórica da cidade, representando elementos de um quotidiano e de uma época distintos dos atuais.
Através da campanha, a autarquia pretende reforçar o sentimento de pertença e a responsabilidade coletiva pela conservação destes vestígios, procurando evitar novos danos e garantir que o conjunto continue acessível às gerações futuras.
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