Poucos associam o Algarve à montanha, mas a verdade é que, no extremo noroeste da região, há uma vila serrana onde a altitude e a natureza tomam o lugar das praias. Monchique é o ponto de partida ideal para descobrir a Serra homónima, um território marcado por paisagens onduladas, aldeias dispersas e recantos de difícil acesso.
A partir da vila, é um curto percurso até ao Miradouro da Fóia, o ponto mais alto do Algarve, situado a 902 metros acima do nível do mar.
Em dias de boa visibilidade, a vista estende-se até ao Cabo de São Vicente, a cidade de Faro e, mais surpreendentemente, à Serra da Arrábida, já em território continental a norte do Sado e perto de Lisboa.
Da vila à serra
A estrada nacional 266, que liga Monchique à Fóia, é apontada pelo blog Vaga Mundos como uma das mais cénicas da região. A curta distância é compensada pelas curvas e pela sucessão de miradouros naturais. Mas é no cimo da Fóia que o visitante encontra o cenário mais amplo, com uma plataforma de observação.
A própria vila de Monchique, embora pequena, merece uma visita demorada. O centro histórico está organizado em torno de ruelas estreitas e inclinadas, pontuadas por casas coloridas e solares antigos. No Largo dos Chorões, considerado o “coração” da vila, há cafés com esplanadas, esculturas e jardins.
Igrejas, miradouros e conventos
Entre os edifícios religiosos, destaca-se a Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, com um notável pórtico manuelino. Também a Igreja de São Sebastião e a do Senhor dos Passos merecem destaque, assim como o miradouro homónimo de São Sebastião, de onde se avista grande parte da vila e da serra envolvente.
Segundo a mesma fonte, nas encostas, as ruínas do antigo Convento de Nossa Senhora do Desterro ainda resistem, apesar do visível estado de degradação. A localização, no entanto, continua a atrair visitantes pela vista desafogada sobre Monchique.
O segundo cume e a ponte suspensa
Menos conhecido é o Miradouro da Picota, o segundo ponto mais alto da serra. O acesso é feito por estrada estreita e uma curta caminhada, mas o blog Vaga Mundos refere que “a paisagem compensa o esforço”. Do alto é possível avistar o lençol de água da ribeira de Odelouca e as costas de Portimão e Lagoa.
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Nos arredores, junto à aldeia de Alferce, os Passadiços do Barranco do Demo transformaram um recanto remoto da serra num destino procurado por caminhantes. A infraestrutura inaugurada em outubro de 2023 inclui duas escadarias íngremes e uma ponte suspensa com 50 metros de extensão.
Caminhada com vista
O percurso permite atravessar um escarpado desfiladeiro com segurança. Segundo a mesma fonte, há áreas de descanso em ambos os extremos dos passadiços que funcionam como miradouros naturais, ideais para piqueniques. Escreve o site que o percurso total implica mais de 500 degraus, entre subidas e descidas.
Sabores da serra
Depois da caminhada, o apetite convida à descoberta gastronómica. Conforme a mesma fonte, a assadura, o feijão com arroz e o grão com massa são alguns dos pratos típicos da serra, frequentemente acompanhados por vinho local. A refeição encerra, muitas vezes, com aguardente de medronho, destilada a partir do fruto silvestre comum nas encostas de Monchique.
Um Algarve menos ‘óbvio’
O roteiro por Monchique contraria a imagem balnear do Algarve e mostra que há outras atrações na região. Os cumes da serra, os trilhos escondidos e a autenticidade das aldeias serranas compõem uma proposta alternativa para quem procura paisagens distintas e ritmos mais pausados.
Apesar de relativamente perto da costa, a serra oferece um ambiente diferente, com vegetação densa, temperaturas mais amenas e uma sensação de isolamento pouco comum nas zonas costeiras.
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