O Museu Municipal de Tavira inaugura, no próximo sábado, na Ermida de São Roque, a exposição “Serviço de Apoio Ambulatório Local”, com curadoria de Hugo Dinis e obras de Ana Vidigal, Ângela Ferreira, Nuno Nunes-Ferreira e Susana Mendes Silva, que estará patente ao público até 20 de setembro, de terça-feira a sábado, entre as 09:30 e as 13:00 e as 14:00 e as 16:30.
Esta exposição integra o programa nacional “Arte pela Democracia”, financiado pela Direção-Geral das Artes com o apoio do Município de Tavira, no âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974. “A mostra propõe um diálogo colaborativo com as comunidades residentes nos bairros do 1.º de Maio (Tavira) e Amigos Unidos de Cabanas (Cabanas de Tavira), construídos através do histórico Processo SAAL”, informa a autarquia em comunicado.
O programa inaugural da exposição contempla três momentos. Às 17:00, terá lugar a performance-passeata “SAAL Andor”, de Ângela Ferreira, com a participação do grupo Porbatuka, com partida do Museu Municipal de Tavira. Segue-se, às 17:30, a inauguração oficial da exposição, na Ermida de São Roque. Por fim, às 19:00, realiza-se o convívio “Amigas Unidas”, promovido por Susana Mendes Silva em colaboração com a Associação de Moradores Amigos Unidos de Cabanas, na sede da mesma, em Cabanas.
O Município explica que o Processo SAAL representou “um momento determinante na história da habitação social em Portugal”, assente na autoconstrução coletiva e na relação entre arquitetos e comunidades, com forte protagonismo das mulheres e das crianças. Foi ainda marcado pela expropriação de terrenos para uso coletivo e pela criação de espaços públicos de vivência comunitária.
No contexto da exposição, os quatro artistas convidados apresentam obras que refletem preocupações sociais e políticas relacionadas com o direito à habitação. Ana Vidigal “questiona ironicamente a relação entre os objetos decorativos do quotidiano e a arquitetura modernista”; Ângela Ferreira “ativa manifestações políticas sobre o direito à habitação”; Nuno Nunes-Ferreira “reinterpreta os seus arquivos pessoais para criar uma escultura monolítica”; e Susana Mendes Silva “investiga o papel das mulheres no processo SAAL e recupera as suas histórias”.
Os interessados em mais informações devem contactar o Museu Municipal de Tavira – Palácio da Galeria, através do email [email protected] ou pelo telefone +351 281 320 540. Toda a informação está também disponível em: http://museumunicipaldetavira.cm-tavira.pt
Sobre os artistas e o curador
Ana Vidigal (Lisboa, 1960) – Pintora formada na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Foi bolseira da Fundação Gulbenkian e realizou um estágio de Gravura em Metal com Bartolomeu Cid na Casa das Artes de Tavira (1989). Criou painéis de azulejos para o Metropolitano de Lisboa. Tem desenvolvido um trabalho que explora as relações entre o doméstico e o político, com exposições destacadas na Fundação Arpad-Szenes e Fundação Calouste Gulbenkian.
Ângela Ferreira (Maputo, 1958) – É artista e professora na FBAUL, onde se doutorou em 2016. A sua obra explora o impacto do colonialismo e pós-colonialismo na sociedade contemporânea, incluindo homenagens multimédia de coloniais a figuras como Carlos Cardoso, Ingrid Jonker, Miriam Makeba, Angela Davis. Entre os seus trabalhos destacam-se “Campo Experimental” (2024), “Rádio Voz da Liberdade” (2022) e “Maison Tropicale” (2007).
Nuno Nunes-Ferreira (Lisboa, 1976) – artista que trabalha o conceito de memória, usando o seu extenso arquivo para explorar a estética de imagens do passado coletivo. A sua obra reflete sobre episódios da história recente de Portugal, tendo como pilares o tempo, a memória e a ausência. Vive e trabalha em Santarém, com obra representada em importantes coleções como a Coleção de Arte Contemporânea do Estado Português, Fundação Calouste Gulbenkian e Instituto Valenciano de Arte Moderno.
Susana Mendes Silva (Lisboa, 1972) – Artista plástica, performer e professora na Universidade de Évora. Investigadora no CEIS20/Coimbra e membro da direção da AAVP- Associação de Artistas Visuais em Portugal. O seu trabalho foca-se em desenho, instalação, performance e encontros, materializando-se em obras que transmitem mensagens poéticas e políticas.
Hugo Dinis (Lisboa, 1977) – Licenciado em Artes Plásticas – Pintura pela FBAUL, com pós-graduação em Estudos Curatoriais. Entre 2021-2022 desenvolveu a exposição itinerante “Contra-parede” em vários museus portugueses, incluindo o Museu Municipal de Tavira. Venceu o Prémio de Curadoria do Atelier-Museu Júlio Pomar em 2016. Atualmente, trabalha na Culturgest, na Produção da Coleção da Caixa Geral de Depósitos.
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