De acordo com dados da Sociedade Ponto Verde (SPV), a região do Algarve alcançou em 2024 uma retoma média de 68,1 quilos de embalagens por habitante, superando em reciclagem já a meta per capita definida para 2025 (59,2 quilos). Entre 2020 e 2024, o crescimento foi de 23%, acompanhado por um aumento de 40% nos valores de contrapartida pagos ao SGRU, que subiram de 4,9 milhões de euros em 2020 para 6,9 milhões em 2024.
No fluxo do vidro, a região também apresenta resultados acima da meta de 2025, registando um aumento de 18% entre 2020 e 2024, ao passar de 33,2 quilos para 39,2 quilos per capita. Ainda assim, este crescimento foi inferior ao registado noutros materiais e exige reforço, dado o peso crítico do vidro para o cumprimento das metas nacionais.
Apesar destes indicadores, Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, alerta que os números do Algarve são empolados pelo efeito da população flutuante: “a forte pressão turística cria disparidades face à realidade nacional e exige soluções específicas. A região precisa de garantir que estes bons resultados se traduzem em serviço consistente para residentes e visitantes, com recolhas mais frequentes, ecopontos reforçados e soluções inovadoras em áreas de maior pressão turística”.
Com o reforço do investimento a nível nacional no Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) — que ascenderá a 219 milhões de euros em 2025, mais 99 milhões face ao ano anterior —, as autarquias algarvias assumem agora uma responsabilidade acrescida. Nesse sentido, a SPV defende que o financiamento que cabe a esta região deve ser convertido em soluções concretas: ecopontos estratégicos, recolha porta-a-porta em zonas urbanas, tecnologia aplicada à eficiência e maior envolvimento cívico. “O Algarve tem condições únicas para liderar. É necessário transformar investimento em impacto real, com serviços consistentes durante todo o ano”, afirma Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde.
No plano nacional, a taxa de retoma de embalagens foi de 57,8% em 2024, ainda aquém da meta de 65% para 2025. Mesmo com um investimento de 95 milhões de euros só no primeiro semestre de 2025, o aumento foi de apenas 2% face ao ano anterior, e registou-se uma quebra de 1% na reciclagem de vidro, equivalente a menos 1.300 toneladas.
Perante este cenário, a SPV apresenta propostas concretas e reformas estruturais nos serviços de gestão dos resíduos urbanos, tais como o reforço da colocação e manutenção de ecopontos, o aumento da frequência das recolhas (sobretudo em períodos de maior pressão turística), a aposta em sensores e rotas inteligentes, implementação mecanismos de recompensa para quem separa corretamente, apoio de cadeias de produção locais mais circulares e intensificação de programas de literacia ambiental em escolas e comunidades.
Com este manifesto regional, a Sociedade Ponto Verde pretende colocar a sustentabilidade no centro da agenda política local, num momento em que o tema continua praticamente ausente do debate autárquico. “Mais do que metas distantes, importa garantir soluções ajustadas à realidade do Algarve, capazes de transformar investimento em impacto, melhorar o serviço ao cidadão e afirmar a região como exemplo de sustentabilidade, inovação e qualidade de vida”, reforça Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde.
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