O país vai avançar com a construção do Hospital Central do Algarve, um projeto há muito anunciado e sucessivamente adiado, agora aprovado em Conselho de Ministros. A decisão do Governo envolve um investimento superior a 420 milhões de euros e relança uma obra estruturante para a região algarvia, com impacto direto no Serviço Nacional de Saúde.
De acordo com o portal de notícias ECO, a construção do novo hospital foi aprovada em Conselho de Ministros, sendo desenvolvida em regime de parceria público-privada. O encargo total para o Estado, ao longo de 26 anos, deverá atingir os 1.100 milhões de euros, já incluindo custos financeiros associados ao modelo adotado.
Segundo a mesma fonte, o valor diretamente associado à obra ultrapassa os 420 milhões de euros, tendo estes números sido apresentados pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, na conferência de imprensa após a reunião do Executivo.
O anúncio político e o tom do Governo
Na mesma ocasião, António Leitão Amaro classificou a decisão como um momento marcante, sublinhando o simbolismo político da aprovação. “Depois de 20 anos, depois de oito primeiras pedras, foi finalmente aprovada a construção do Hospital Central do Algarve”, afirmou, numa declaração citada pela mesma publicação
O anúncio já tinha sido antecipado no Parlamento pelo primeiro-ministro, sinalizando que o Governo pretendia encerrar um dossiê antigo e recorrente na agenda política nacional.
Um projeto com duas décadas de história
O Hospital Central do Algarve é um processo iniciado há cerca de 20 anos. Conforme a mesma fonte, em 2008, durante o Governo de José Sócrates, foram dados passos semelhantes, com uma previsão de inauguração para 2012 e um custo estimado em 250 milhões de euros, também em modelo de PPP. Apesar das várias iniciativas e anúncios ao longo dos anos, o projeto nunca chegou à fase de execução, acumulando promessas e estudos sem obra no terreno.
Na conferência de imprensa, António Leitão Amaro recuperou esse histórico para marcar uma diferença política. O ministro ironizou sobre as sucessivas intenções não concretizadas, afirmando que “não faz quem fala, quem promete, quem governa em nuvens cor-de-rosa”.
“Faz quem contrata, quem paga, quem executa”, declarou, associando a decisão agora tomada a uma mudança de abordagem na concretização de grandes investimentos públicos.
Outras decisões na área da saúde
Para além do hospital algarvio, o Conselho de Ministros aprovou também um reforço financeiro para o setor social na área da saúde. Segundo a mesma fonte, foram destinados 10 milhões de euros adicionais a acordos de cooperação com misericórdias.
Este montante será canalizado para instituições da região Norte, com o objetivo de apoiar a prestação de cuidados de saúde, explica o site, enquadrando a medida num conjunto mais vasto de decisões governativas.
Apesar da aprovação política, continuam por definir várias etapas essenciais. De acordo com o ECO, não foram indicadas datas para o lançamento do concurso público, para o início da construção ou para a conclusão da obra.
António Leitão Amaro adiantou apenas uma referência temporal indicativa, afirmando que se estima que os pagamentos associados ao projeto decorram a partir de 2032, sublinhando a dimensão e complexidade do processo contratual e da própria construção.
















