No extremo sudeste do Algarve existe uma cidade portuguesa com uma história ‘única’. Foi desenhada de raiz, com traçado iluminista, e ergueu-se junto à foz do rio Guadiana. A sua construção teve objetivos estratégicos e económicos. Hoje, é uma das localidades mais baratas da região para passar férias junto ao mar.
Uma cidade erguida em menos de dois anos
Falamos de Vila Real de Santo António, uma cidade no Algarve que foi mandada construir pelo Marquês de Pombal em 1774. Segundo o município de Vila Real de Santo António, o projeto ficou concluído em menos de dois anos, com base nos princípios do urbanismo iluminista. A cidade pretendia reforçar a presença portuguesa na fronteira com Espanha e dinamizar o comércio e as pescas. Foi erguida sobre o areal, mesmo à beira do Guadiana.
O plano da cidade segue uma organização geométrica, semelhante ao que foi feito na Baixa de Lisboa após o terramoto de 1755. Todas as ruas confluem para a Praça Marquês de Pombal, onde se encontram os edifícios mais emblemáticos. Esta praça é o ponto central de Vila Real de Santo António e reflete os ideais de ordem e funcionalidade.
A Praça que organiza a cidade
Na Praça Marquês de Pombal destaca-se o obelisco iluminista construído em 1776. É rodeado por bancos e laranjeiras, criando um ambiente propício ao passeio. Nas laterais, situam-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Encarnação e a Câmara Municipal. O traçado desta zona mantém-se praticamente inalterado desde o século XVIII.
A circulação automóvel deixou de ser permitida nesta praça, permitindo que apenas peões e bicicletas a atravessem. O pavimento em calçada portuguesa, com desenhos radiais a partir do obelisco, ajuda a preservar o ambiente histórico. Este espaço central continua a ser o ponto de encontro mais simbólico da cidade.
Geografia e património natural
O concelho de Vila Real de Santo António apresenta uma configuração territorial pouco comum. Divide-se em duas zonas não contíguas: uma onde está a cidade e outra onde se situa Monte Gordo. A parte oriental faz fronteira com Espanha e está junto ao rio Guadiana; a ocidental confina com Tavira e tem frente atlântica.
A cidade está próxima da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. Esta área protegida é habitat de dezenas de espécies de aves e contribui para a valorização ambiental do concelho. Os visitantes podem fazer caminhadas e observar flamingos, garças e outras aves migratórias ao longo do ano.
Legado literário e cultural
Escreve o portal Alma de Viajante que António Aleixo, um dos mais importantes poetas populares do Algarve, nasceu nesta cidade. A sua obra é conhecida pelo tom irónico e crítica social. O antigo mercado municipal foi transformado no Centro Cultural António Aleixo, que hoje acolhe eventos culturais e exposições. A figura do poeta continua a inspirar atividades culturais locais.
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Os quarteirões da cidade permitem observar ainda o traçado original idealizado no século XVIII. É possível seguir o alinhamento das ruas a partir da praça central e terminar o percurso junto ao edifício da antiga Alfândega. A cidade mantém a coerência entre o projeto inicial e a realidade urbana atual.
Turismo acessível e em crescimento
Nos últimos anos, Vila Real de Santo António tem atraído visitantes nacionais e estrangeiros. Os preços praticados nos alojamentos e restaurantes são, em geral, inferiores aos das zonas mais procuradas do Algarve. Esta acessibilidade torna a cidade uma opção para quem procura férias económicas junto ao mar.
O turismo espanhol representa uma fatia significativa da procura. A ligação por ferry ou por estrada à cidade vizinha de Ayamonte facilita as visitas diárias de turistas do outro lado da fronteira. Durante o verão, a cidade e a zona balnear de Monte Gordo enchem-se de visitantes em busca de sol, praia e tranquilidade.
Praias e lazer à beira-mar
A praia de Monte Gordo, no mesmo concelho, é uma das mais conhecidas do Algarve oriental. Tem extensos areais, águas calmas e boa acessibilidade, incluindo passadiços de madeira. É uma zona especialmente procurada por famílias e por quem tem mobilidade reduzida. Ao longo da marginal não faltam cafés, esplanadas e ciclovias.
Na própria cidade, o passeio ribeirinho junto ao Guadiana permite caminhadas com vista para Espanha. A zona está requalificada, com jardins, bancos e iluminação pública moderna. Aqui, é possível observar o vaivém dos barcos e desfrutar de momentos de descanso à sombra das árvores.
Cidade pensada para durar
Vila Real de Santo António foi desenhada com uma visão de futuro. O traçado iluminista, aliado ao posicionamento estratégico, fez da cidade uma referência urbanística. Foi a primeira cidade portuguesa planeada de raiz após o terramoto de Lisboa. A sua organização funcional continua a servir os residentes e visitantes dois séculos depois.
As intervenções de requalificação mantêm o espírito original da cidade. A autarquia tem apostado na preservação do património e na valorização do espaço público. Com medidas de mobilidade sustentável e conservação do centro histórico, a cidade adapta-se aos tempos modernos sem perder a sua identidade.
Esta cidade do Algarve é ainda considerada uma das mais baratas para passar férias na região. No mês de agosto, por exemplo, ainda é possível reservar um quarto duplo num hotel a preços que começam nos 100 euros por noite. A informação foi disponibilizada pelo Booking.
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