Viajar pelo Algarve em fevereiro pode custar cerca de 50 euros por dia, uma realidade que contrasta fortemente com os preços praticados no verão. Hotéis a partir de 26 euros por noite, praias praticamente vazias e temperaturas médias a rondar os 17 graus fazem deste mês um dos mais económicos do ano para visitar o sul de Portugal, segundo dados avançados pelo Merca2, site espanhol especializado em atualidade.
Tradicionalmente associado ao turismo de massas entre junho e setembro, o Algarve entra na época baixa com quedas acentuadas nos preços do alojamento, dos voos e de várias atividades.
Em fevereiro de 2026, Tavira e Lagos destacam-se como os concelhos onde essa descida é mais evidente, com reduções que chegam aos 40 por cento face ao verão, de acordo com a mesma fonte.
Os números confirmam a tendência. Em Tavira, é possível encontrar unidades hoteleiras a partir de 26 ou 31 euros por noite, quando em agosto os valores ultrapassam facilmente os 150 ou 200 euros.
Em Lagos, os preços mais baixos situam-se nos 40 a 45 euros, ainda assim muito abaixo dos cerca de 180 euros praticados na época alta, explica a mesma fonte com base em plataformas de reservas internacionais.
Fevereiro não é inverno no Algarve
Apesar de ser considerado inverno no calendário, fevereiro apresenta condições meteorológicas relativamente amenas no Algarve. As temperaturas diurnas oscilam entre os 17 e os 18 graus, com vários dias de sol e precipitação apenas ocasional.
Segundo dados compilados pelo Merca2, a região beneficia de mais de seis horas de sol por dia neste período, o que permite passeios à beira-mar, refeições em esplanadas e visitas prolongadas aos centros históricos.
A menor afluência turística é outro dos fatores determinantes. Estima-se que o número de visitantes em fevereiro seja cerca de 70 por cento inferior ao registado no verão. Praias como a Ilha de Tavira ou a Praia da Dona Ana, em Lagos, ficam praticamente desertas, enquanto no pico da época balnear chegam a acolher milhares de pessoas por dia.
Porque é que os preços descem tanto nesta altura
A quebra abrupta da procura explica grande parte da descida de preços. A publicação sublinha que cerca de 80 por cento dos turistas estrangeiros que visitam o Algarve concentram-se entre junho e setembro. Nos restantes meses, hotéis, operadores turísticos e companhias aéreas ajustam tarifas para manter alguma taxa de ocupação.
Os voos são um exemplo claro. Em fevereiro, é possível encontrar ligações entre Madrid ou Barcelona e Faro por valores a partir dos 30 a 35 euros ida e volta, quando no verão os mesmos trajetos ultrapassam facilmente os 150 euros. As atividades turísticas mantêm preços semelhantes, mas com menos filas e grupos muito mais pequenos.
Como gastar cerca de 50 euros por dia
O orçamento diário de 50 euros é viável sobretudo em Tavira e Lagos. De acordo com a mesma fonte, um cenário típico pode incluir 35 euros de alojamento, 8 a 10 euros em refeições simples e produtos comprados em mercados locais, cerca de 5 euros em transportes públicos e um pequeno valor residual para despesas pontuais.
Os mercados de Loulé ou Olhão continuam ativos nesta altura do ano, com peixe fresco e produtos regionais a preços acessíveis. As praias, trilhos costeiros e centros históricos são de acesso gratuito, permitindo preencher os dias sem custos adicionais relevantes.
Porque Tavira e Lagos funcionam melhor fora de época
Ao contrário de destinos como Albufeira ou Vilamoura, onde muitos estabelecimentos encerram durante o inverno, Tavira e Lagos mantêm uma vida local ativa. Restaurantes, cafés, mercados e serviços continuam a funcionar, uma vez que a economia não depende exclusivamente do turismo sazonal.
Tavira preserva uma forte identidade histórica e comunitária, enquanto Lagos combina património, praias icónicas e uma oferta turística ajustada todo o ano. De acordo com o Merca2, esta resiliência torna estes dois concelhos particularmente atrativos para escapadas fora da época alta.
O que esperar sem ilusões
Fevereiro no Algarve exige expectativas ajustadas. Não é um destino de praia clássica, mas sim de passeios, paisagem, gastronomia e tranquilidade. Haverá dias mais quentes e outros mais frescos, alguns estabelecimentos fecham mais cedo e certas praias não dispõem de apoios.
Ainda assim, para quem procura descanso e preços controlados, o mês revela-se uma alternativa inesperadamente competitiva.
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