A época balnear arranca oficialmente na sexta-feira em Albufeira, mas a falta de nadadores-salvadores continua a dificultar a preparação atempada das praias, revelou à Lusa o presidente da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS), Alexandre Tadeia.
Segundo o responsável, a dificuldade em contratar profissionais repete-se todos os anos, uma vez que o atual modelo “não atrai nadadores-salvadores e não retém” trabalhadores. Alexandre Tadeia considera que a profissão continua a ser pouco apelativa devido às longas cargas horárias, às condições exigentes e ao facto de grande parte dos profissionais serem estudantes universitários, disponíveis apenas durante os meses de verão.
“Isto quer dizer que todos os anos perdemos aproximadamente metade dos que trabalharam na época balneária anterior. E depois o sistema não é atrativo, não há incentivos. As condições de trabalho de nadadores-salvadores são muito duras, com muitas horas de trabalho, com um material que protege pouco e tudo isso contribui para que, por um lado, não atraia e, por outro lado, não retenha”, argumentou.
Apesar da realização anual de cursos de formação e da existência de cerca de 5.000 pessoas certificadas como nadadores-salvadores, Alexandre Tadeia sublinha que muitos são estudantes e que, “nesta altura, não estão disponíveis para trabalhar”, criando um “enorme problema” para os concessionários que pretendem iniciar a época balnear ainda em maio.
Recurso a trabalhadores estrangeiros mantém-se
“E, normalmente, só se consegue de facto resolver utilizando mão-de-obra estrangeira”, disse o presidente da FEPONS, frisando que, “mesmo com grande planeamento”, é “muito difícil” aos concessionários fazerem a contratação antes de junho.
Para Alexandre Tadeia, é preciso criar incentivos para tornar a profissão atrativa, ter carreiras profissionais que permitam aos nadadores-salvadores trabalhar todo o ano e apostar na formação de mão-de-obra local para ultrapassar também a dificuldade que muitos trabalhadores estrangeiros têm para encontrar alojamento a preços acessíveis.
A realização de programas de salvamento aquático e desportivo nas escolas e o reconhecimento por parte dos municípios de que esta área é também um investimento que tem frutos e deve ser assumido a nível local são outras das medidas propostas pela FEPONS, referiu.
Já o presidente da Associação de Nadadores-Salvadores de Albufeira, Jorge Azevedo, disse à Lusa que só é possível ter tudo pronto atempadamente com um trabalho que começa mal acaba a anterior época alta.
O responsável explicou que Albufeira tem a particularidade de contar com “cobertura” de socorristas na praia “durante o inverno, principalmente na frente de mar do município”, e nas piscinas municipais, mas a preparação de cada época balnear precisa de “um cuidado acrescido” e um trabalho de antecipação para garantir os meios necessários.
Albufeira inicia época balnear antes do resto do Algarve
O dirigente associativo afirmou que, embora a época balnear comece oficialmente na sexta-feira, há praias a funcionar desde 01 de maio e outras desde abril, havendo concessionários que dependem apenas de si.
No entanto, os que estão integrados no plano da associação dependem de um “trabalho conjunto de preparação” e “continuado” que permite ultrapassar a falta de nadadores-salvadores, com profissionais que provêm, muitas vezes, de países da América do Sul, como Argentina e Brasil.
“A Associação de Nadadores de Albufeira tenta fazer sempre cursos de formação para minimizar esse impacto da dificuldade de arranjar nadadores-salvadores, mas todos os anos temos aquela questão dos mais velhos que já não querem regressar, dos mais jovens que só querem trabalhar ou só podem […] trabalhar os meses de julho e agosto”, exemplificou.
Para ultrapassar a falta de nadadores-salvadores “tem que se recorrer muitas vezes a outras nacionalidades […], mas isso implica um planeamento sempre muito rigoroso e muito antecipado, porque todos os anos temos os mesmos problemas”, salientou.
Albufeira é o primeiro concelho do Algarve a iniciar oficialmente a época balnear, na sexta-feira (15 de maio) – nos restantes concelhos do distrito de Faro só começa a 01 de junho.
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