Uma técnica superior de Nutrição e Dietética, Ana Luzón, diz que quase não usa papel de alumínio para embrulhar os sanduíches dos filhos por uma razão de segurança alimentar a longo prazo: a migração de metais para os alimentos, um risco “invisível”, mas possível, sobretudo em lanches escolares.
A posição é defendida num artigo publicado pelo portal espanhol Huffpost, e centra-se num hábito comum em muitas famílias: preparar o lanche, cortar papel de alumínio e embrulhar automaticamente.
O motivo: “migração de metais” e exposição acumulada
Segundo Ana Luzón, o problema não está num uso ocasional, mas na exposição repetida e acumulada ao longo do tempo, sobretudo quando o alumínio entra em contacto direto com o alimento. A técnica refere que o organismo consegue eliminar pequenas quantidades, mas alerta para o peso da soma diária de várias fontes.
A especialista acrescenta que certas condições muito frequentes em lanches, como ingredientes específicos ou alimentos ainda quentes, podem favorecer a transferência microscópica de partículas do invólucro para a comida.
Quando o risco aumenta: ácido, quente e salgado
Entre os exemplos apontados, surgem os alimentos ácidos. A técnica indica que ingredientes como tomate, kiwi ou temperos com vinagre e limão podem acelerar a “dissolução” microscópica do alumínio, facilitando a sua passagem para o alimento.
Outro cenário comum é embrulhar comida ainda quente, como uma sanduíche acabada de preparar ou uma tortilla que mantém calor. De acordo com a especialista, a temperatura pode aumentar de forma significativa a migração do metal.
A presença de sal também é destacada como fator que pode favorecer o processo, funcionando como catalisador. Em termos práticos, a mensagem é clara: a combinação de alumínio com calor, acidez ou sal tende a ser o contexto menos desejável.
Porque preocupa mais no caso das crianças
Ana Luzón sublinha que, no caso dos mais novos, a preocupação é maior por estarem em desenvolvimento, incluindo a nível cognitivo. Por isso, defende que reduzir exposições evitáveis faz parte de uma estratégia de segurança alimentar a longo prazo.
A técnica refere ainda que, somando o alumínio do invólucro com o de alguns utensílios de cozinha e o que pode existir naturalmente em determinados alimentos, é possível aproximar-se de limites recomendados por entidades europeias, defendendo uma abordagem preventiva.
Alternativas apontadas: mais seguras e mais sustentáveis
Em vez do alumínio, a especialista sugere opções reutilizáveis, destacando os envoltórios de cera de abelha, por serem respiráveis, naturais e adequados para sanduíches frias, além de reduzirem desperdício.
Como alternativas adicionais, aponta bolsas de silicone ou tecido plastificado, por serem fáceis de lavar e duráveis, e as lancheiras de aço inoxidável, descritas como uma solução mais inerte para transportar alimentos, sem reter odores e com menor risco de transferência de partículas.
De acordo com o Huffpost, e para quem precisa de uma opção descartável, menciona também o papel de forno (de grau alimentar) como uma escolha mais neutra do que o metal em situações pontuais.
No final, Ana Luzón reforça que não é caso para alarmismo se o papel de alumínio for usado de vez em quando, mas considera sensato evitar o contacto direto com alimentos ácidos ou quentes, classificando essa mudança como uma das decisões mais simples para proteger a saúde das crianças no dia a dia.
Leia também: Especialistas pedem que não se faça isto ao cozinhar o arroz
















