Em contexto de viagem aérea, há um detalhe que continua a gerar dúvidas entre passageiros. É possível transportar comida e bebidas no avião, mas existem restrições quanto ao que pode ser consumido durante o voo. Uma delas envolve uma das bebidas mais procuradas por quem quer relaxar a bordo, especialmente em voos de média ou longa duração.
A cerveja, o vinho ou outras bebidas alcoólicas podem ser transportadas na bagagem, desde que adquiridas em locais autorizados após o controlo de segurança. No entanto, segundo esclarece a companhia aérea Transavia, o consumo destas bebidas trazidas pelos passageiros está expressamente proibido durante o voo.
Pode levar, mas não pode consumir
De acordo com a Transavia, bebidas alcoólicas compradas após o controlo de segurança podem ser levadas para o avião, mas apenas as bebidas alcoólicas servidas a bordo estão autorizadas para consumo. O transporte é permitido, mas a abertura e ingestão do conteúdo não o são.
Segundo a mesma fonte, esta regra aplica-se independentemente da quantidade ou do tipo de bebida. Mesmo que o passageiro transporte apenas uma pequena garrafa adquirida numa loja Duty Free, o seu consumo só será possível se autorizado e servido pela tripulação. Esta medida aplica-se em muitas companhias aéreas, nomeadamente a Transavia, Ryanair, TAP e easyJet.
O álcool e a altitude não combinam
A razão por trás desta limitação vai além de questões de segurança operacional. Em declarações ao Viral Check, Paulo Carrola, coordenador do Núcleo de Estudos das Doenças do Fígado da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), afirma que “a sensação de embriaguez num voo é mais elevada do que no solo, para a mesma quantidade de álcool, devido à pressurização das cabines”.
Explica o mesmo site que, com níveis mais baixos de oxigénio a bordo, o organismo absorve menos oxigénio, o que potencia os efeitos do álcool. Esta condição, conhecida como hipoxia, é semelhante aos sintomas provocados por consumo excessivo de álcool, como tonturas e alteração do estado de consciência.
Um copo no ar equivale a dois em terra?
Embora não haja uma equivalência exata, escreve o Viral Check que há passageiros que relatam uma sensação de embriaguez mais rápida e intensa quando bebem em altitude. O ambiente seco da cabine, conjugado com os efeitos diuréticos do álcool, contribui para uma desidratação acelerada, o que pode agravar os efeitos sentidos.
Acrescenta a publicação que este contexto pode levar a uma percepção errada da quantidade ingerida e do impacto no organismo, com consequências para a saúde durante e após o voo.
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Riscos mais do que teóricos
Para além dos efeitos imediatos, o consumo de bebidas alcoólicas durante os voos pode acarretar riscos adicionais. Segundo Paulo Carrola, “o consumo de bebidas alcoólicas não é recomendado nos voos ou fora deles”, apontando para um aumento do risco de eventos cardiovasculares, entre outras complicações.
Conforme a mesma fonte, há ainda registos de associação entre álcool em voo e maior risco de tromboembolismo venoso, resultado da formação de coágulos sanguíneos. A desidratação, favorecida pelo ar seco da cabine e agravada pelo álcool, pode estar entre os fatores que contribuem para este fenómeno.
Um alerta mais abrangente
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também emite alertas sobre o consumo de álcool em geral. A entidade afirma que “nenhum nível de consumo de álcool é seguro para a saúde”, destacando a sua relação com doenças do fígado, cardíacas e vários tipos de cancro.
Refere a mesma fonte que há ainda impactos ao nível da saúde mental, incluindo ansiedade e perturbações associadas ao consumo de álcool. Em casos mais graves, segundo o site do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), pode ocorrer coma ou morte por depressão cardiorrespiratória.
Estudos apontam para efeitos combinados
Um estudo citado pelo Viral Check em junho do último ano avaliou os efeitos da combinação de álcool e hipoxia durante o voo. Os resultados revelaram que esta interação reduziu a qualidade do sono, afetou o sistema cardiovascular e prolongou a duração da hipoxemia, ou seja, níveis reduzidos de oxigénio no sangue.
Sublinha a mesma fonte que os efeitos são mais significativos em passageiros com condições médicas pré-existentes, mas podem afetar qualquer pessoa, especialmente em voos longos.
Regras para alimentos e líquidos
No que respeita a alimentos, a Transavia permite transportar sandes, bolachas ou saladas, desde que em estado sólido. Produtos líquidos, como sopas ou molhos, devem ser acondicionados em frascos de até 100 mililitros e colocados em sacos plásticos transparentes com capacidade máxima de um litro.
Para bebés, conforme a mesma fonte, não se aplicam estas restrições. É possível levar toda a quantidade necessária de comida para o voo, sem necessidade de frascos específicos ou sacos plásticos separados.
















