A segurança dos smartphones tornou-se uma preocupação crescente numa altura em que os ataques informáticos dirigidos a estes equipamentos são cada vez mais sofisticados. Embora reiniciar o telemóvel continue a ser uma medida útil, as fontes oficiais mostram que esse gesto, por si só, pode não bastar para travar algumas ameaças mais avançadas.
Em relação a este tema, a National Security Agency (NSA), dos Estados Unidos, inclui entre as suas recomendações de segurança para dispositivos móveis o conselho de desligar e voltar a ligar o equipamento semanalmente.
A agência apresenta esta prática como uma forma de reduzir riscos e dificultar a ação de algumas ameaças que dependem de processos ativos no sistema.
Reiniciar ajuda, mas não resolve tudo
A visão da ANSSI, a agência francesa de cibersegurança, é mais cautelosa. No relatório oficial sobre a ameaça aos telemóveis desde 2015, a entidade recomenda reinícios regulares, mas explica que o encerramento completo do telefone permite fechar processos e eliminar software malicioso que esteja apenas em memória, como certos programas espiões sem persistência. Ao mesmo tempo, alerta que isso não impede uma nova infeção pelo mesmo vetor usado anteriormente.
O mesmo documento vai mais longe e deixa um aviso claro: alguns programas espiões conseguem simular um reinício do telemóvel para enganar o utilizador. Por essa razão, a recomendação oficial passa por desligar e voltar a ligar o equipamento sem recorrer apenas à funcionalidade de reiniciar.
Por que é que desligar totalmente pode ser mais seguro
A ANSSI acrescenta que, quando o telemóvel arranca, várias funcionalidades permanecem desativadas até ser feito o primeiro desbloqueio, o que reduz a superfície de ataque. Esta explicação ajuda a perceber porque motivo o desligamento completo pode oferecer uma barreira adicional em comparação com um simples reinício aparente ou incompleto.
No caso do iPhone, a própria Apple descreve um princípio de segurança semelhante. A empresa explica que, após um reinício, o dispositivo regressa a um estado mais protegido e elimina da memória chaves de segurança e dados transitórios.
A Apple refere também que um reinício automático pode fazer o equipamento passar do estado “After First Unlock” para “Before First Unlock”, precisamente para reforçar a proteção dos dados, de acordo com a mesma fonte.
Que dizem as fontes oficiais para reduzir riscos
As recomendações oficiais não se ficam pelo ato de desligar o telemóvel. A NSA aconselha ainda a instalar apenas aplicações das lojas oficiais, atualizar rapidamente o sistema e as apps, evitar redes Wi-Fi públicas, desligar Bluetooth e localização quando não forem necessários e não abrir links ou anexos suspeitos.
Já a ANSSI insiste na atualização rápida do sistema operativo, no reinício regular, na ativação de mecanismos de reforço de segurança, na separação entre usos pessoais e profissionais e no desligamento completo do equipamento quando o utilizador tiver de se afastar dele. A agência lembra também que o modo avião não impede o funcionamento de um programa espião já ativo no aparelho.
As fontes oficiais, como o FBI ou a NSA, confirmam que reiniciar o smartphone continua a ser uma medida útil, mas não deve ser vista como proteção total. Quando há suspeitas mais sérias ou necessidade de reforçar a segurança, o procedimento mais prudente passa por desligar completamente o equipamento e voltar a ligá-lo, mantendo igualmente boas práticas de atualização, instalação de aplicações e vigilância sobre links e mensagens recebidas.
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