O salmão é um dos peixes mais consumidos e valorizados pela presença de ómega-3, mas especialistas alertam que o seu consumo deve ser feito com alguns cuidados, sobretudo quando é servido cru ou pouco cozinhado. O tema voltou a ganhar destaque por causa dos parasitas que podem estar presentes em peixe selvagem e pelas dúvidas que continuam a existir em torno do salmão de aquacultura.
Entre os riscos mais conhecidos está o Anisakis, um parasita associado ao consumo de pescado cru ou mal confecionado. Autoridades de segurança alimentar recordam que cozinhar bem o peixe ou submetê-lo a congelação adequada reduz este risco de forma significativa.
No caso do salmão, importa, porém, fazer uma distinção essencial. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos já indicou que, no salmão do Atlântico criado em aquacultura sob determinadas condições controladas e com alimentação adequada, o risco de infeção por Anisakis é considerado negligenciável.
Selvagem e de aquacultura não são iguais
A comparação entre salmão selvagem e de aquacultura vai além da questão dos parasitas. Em termos nutricionais, os dados disponíveis indicam que o salmão de aquacultura tende a apresentar mais gordura e mais calorias por 100 gramas do que o salmão selvagem.
Isso não significa, contudo, que deixe de ser uma opção interessante do ponto de vista alimentar. O salmão, em geral, continua a ser reconhecido como fonte de proteína e de ácidos gordos ómega-3, nutrientes associados à saúde cardiovascular e cerebral.
A diferença está sobretudo na composição e no modo de produção. O peixe selvagem apresenta, regra geral, um perfil mais magro, enquanto o de aquacultura pode ter um teor lipídico superior, resultado do tipo de alimentação e das condições de criação.
O que dizem as regras europeias
Outro dos temas que costuma gerar preocupação é o uso de antibióticos na aquacultura. Na União Europeia, estas substâncias não podem ser usadas para promover crescimento nem para prevenção indiscriminada, estando sujeitas a regras apertadas e a prescrição veterinária.
Isto significa que o debate sobre a qualidade do salmão de aquacultura deve ser feito com nuance. Há preocupações legítimas ligadas à produção intensiva, mas também existe enquadramento legal e controlo oficial para limitar riscos alimentares e resíduos acima dos limites permitidos.
Ainda assim, o consumidor deve estar atento à origem do produto e privilegie informação clara no momento da compra. A rastreabilidade e o cumprimento das normas sanitárias continuam a ser fatores decisivos para uma escolha mais segura.
Como reduzir riscos no consumo
O principal cuidado deve surgir quando o salmão é consumido em preparações como sushi, sashimi, ceviches ou outras receitas sem cozedura suficiente. Nestes casos, cozinhar ou congelar previamente o peixe segundo as orientações de segurança alimentar é fundamental para eliminar parasitas viáveis.
Para consumo doméstico, e segundo dados da Food Standards Agency, o mais prudente é garantir uma confeção adequada, sobretudo quando não existe certeza sobre o tratamento prévio do peixe. As autoridades de saúde sublinham que a cozedura continua a ser a via mais segura para reduzir perigos microbiológicos e parasitários.
No fundo, o salmão não deve ser visto como um alimento a evitar, mas como um produto que exige escolhas informadas. Entre o peixe selvagem e o de aquacultura há diferenças reais, e conhecer essas diferenças pode ajudar o consumidor a equilibrar sabor, valor nutricional e segurança alimentar.
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