Muitos passageiros assumem que o sítio mais sujo de um avião é a casa de banho. Mas novas revelações feitas por uma hospedeira de bordo com mais de 12 anos de experiência mostram que a realidade é bem diferente. Os maiores focos de germes estão, na verdade, nos locais mais inesperados, e a maioria das pessoas nem sequer desconfia.
Lisa Grant, hospedeira de bordo sénior em várias companhias aéreas internacionais, alertou para uma lista surpreendente de zonas do avião onde a concentração de bactérias é muito superior ao que se imagina. E o mais ‘impressionante’ é que algumas dessas superfícies nem sequer são limpas com regularidade entre voos.
As aparências iludem
Apesar da maioria dos passageiros confiar na limpeza do seu assento, a hospedeira de bordo revela que muitos dos elementos mais usados raramente são desinfetados. A título de exemplo, os apoios de braços são tocados, tossidos, e muitas vezes sujos com restos de comida, mas só são limpos caso fiquem visivelmente sujos. Segundo Lisa, citada pelo Daily Express, “as pessoas esperam que o assento esteja limpo, mas os apoios raramente são desinfetados. Um simples toalhete pode fazer a diferença”.
Mas não se fica por aqui. Os cintos de segurança, usados por todos os passageiros, também representam um risco elevado. Por serem feitos de metal e tecido, conseguem reter bactérias durante várias horas, especialmente se forem tocados logo após sair de transportes públicos ou filas movimentadas no aeroporto. “É uma das primeiras coisas que as pessoas tocam depois de embarcar”, afirma Lisa.
Botões por cima da cabeça
As saídas de ar e as luzes de leitura localizadas por cima dos assentos também estão na lista negra. Como são ajustadas por dezenas de passageiros ao longo do dia e se encontram fora do campo de visão habitual, podem passar semanas sem serem limpas. Lisa confirma: “Não é incomum os ventiladores não serem limpos durante muito tempo”.
Os bolsos das costas dos assentos, onde os passageiros costumam guardar revistas ou objetos pessoais, são também uma fonte preocupante de germes. Isto porque, segundo a hospedeira de bordo, “há quem use esses bolsos como caixotes do lixo. Já encontrei lenços usados, restos de comida e até fraldas”.
A zona mais contaminada
Embora muitos pensem que o botão de descarga da sanita seja o sítio mais sujo de todo o avião, os dados mostram o contrário, segundo a mesma fonte. O verdadeiro ‘campeão da sujidade’ é a mesa de bandeja, situada à frente de cada passageiro. Estudos revelam que estas superfícies podem conter mais de 2.000 unidades formadoras de colónias (CFU), número que representa bactérias ou fungos vivos capazes de se multiplicar.
Durante períodos de grande movimento, como os turnos rápidos entre voos, os tripulantes nem sempre têm tempo para limpar estas mesas. “As mesas de bandeja são muitas vezes ignoradas, principalmente quando há pressa”, refere Lisa.
Recomendamos: Viu uma garrafa de água numa esquina ou junto à porta de uma casa? Saiba o que significa e descubra como pode ser (muito) útil
Mais sujos do que a sanita
A conclusão é clara: muitas das superfícies que os passageiros tocam sem pensar duas vezes têm, na verdade, mais germes do que o próprio botão da descarga da casa de banho. Isto inclui os cintos de segurança, as mesas de bandeja, os bolsos do assento e até os apoios de braço. Lisa sublinha que, embora os padrões de limpeza das companhias aéreas tenham vindo a melhorar, muitos destes elementos continuam a escapar ao processo de higienização. Daí que, segundo a mesma fonte, seja importante cada passageiro tomar precauções simples antes e durante o voo.
Como proteger-se a bordo
Uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de contaminação é levar consigo toalhetes desinfetantes e gel antibacteriano. Passar um toalhete nas superfícies mais tocadas pode evitar infeções indesejadas, sobretudo em voos longos ou com muitas escalas.
Evitar guardar objetos pessoais nos bolsos dos assentos ou mexer nas saídas de ar sem limpar também são boas práticas. E, sempre que possível, deve-se lavar ou desinfetar as mãos depois de mexer no cinto de segurança ou usar a mesa de apoio.
Viagens mais seguras
A verdade é que, apesar das equipas de limpeza fazerem o melhor possível, o tempo curto entre voos nem sempre permite uma higienização profunda. Por isso, cabe a cada passageiro garantir a sua própria proteção com gestos simples mas eficazes.
Outro conselho prático é evitar tocar no rosto, especialmente nos olhos, nariz e boca, logo após contactar com superfícies partilhadas. Este hábito pode reduzir drasticamente a probabilidade de contrair infeções a bordo.
A importância da prevenção
Ao conhecer estas informações, os passageiros ficam mais conscientes dos perigos ‘invisíveis’ durante um voo. A higiene pessoal e o uso de desinfetantes tornaram-se aliados indispensáveis para quem quer viajar de forma segura, de acordo com o Daily Express.
Um estudo feito por microbiologistas nos Estados Unidos revelou que as mesas de bandeja podem ter até oito vezes mais germes do que o botão da sanita de um avião. E em 2018, uma análise feita a mais de 100 voos identificou restos de ADN de fezes em mais de metade dos apoios de braço testados.
Mesmo num ambiente com ar filtrado como o de uma cabine pressurizada, o contacto direto com superfícies partilhadas continua a ser um dos maiores riscos de transmissão de bactérias e vírus.
















